Tribuna do Leitor

Meu querido Mauriti


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Que saudade já infinita daquela batucada gostosa, sem malícia, das notas frenéticas de seus bordões no violão melodioso e contagiante. Mauriti, eu lhe peço perdão, chorando e com o coração apertado, por não estar em Bauru quando você, sem avisar, foi enfeitar e tornar mais belas as serenatas no paraíso. Sem pedir licença, me deixou órfão na batucada.

Não pude lhe dar o beijo de despedida, meu querido mestre, meu violão seresteiro... Deus deve estar muito feliz em ter você junto Dele. A saudade já me é companheira neste ano novo, cujos dias estão mais tristes sem seus acordes, sem sua ginga nas cordas do violão. Que saudade lá do Bar do Vagnão e da Cássia, onde brincamos de tocar e cantar na maior harmonia e cumplicidade.

Você gostava tanto de tocar "Regra Três" e "Com que Roupa", do nosso saudoso Noel. Minha batida na timba perdeu uma nota preciosa chamada Mauriti. Nossos ensaios lá na sua casa no Redentor, regado com o delicioso cafezinho junto a nossa querida Dona Olga, junto com o Geraldo, a Élide e outros amigos, vão ficar na memória deste seu admirador e amigo...

Também jamais esqueceremos das tocadas no bar do Jair, também lá no seu bairro querido. Não podemos contestar os desígnios de Deus, mas bem que Ele poderia ter deixado você ficar mais um pouquinho para lembrar os ritimados boleros e os doces sambas de Dolores Duran entre outros.

A música é um dom Divino que une pessoas. Ela nos uniu por um bom tempo e jamais há de separar nossos corações. Que Deus, em Sua infinita misericórdia, lhe conceda um lugar de honra na Orquestra do Paraíso e que o balanço de seu samba no violão se perpetue entre as estrelas do Universo... Até um dia, meu querido Mauriti...

Fernando Lucilha Júnior

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