Milhares de partidários do presidente Hugo Chávez se reuniram desde a manhã de ontem nas ruas do centro de Caracas para participar da festa que foi convocada pelo partido governista para marcar o início do novo mandato presidencial.
O período começa a despeito da ausência de Chávez, que permanece internado num hospital de Cuba desde dezembro passado, quando passou por sua quarta cirurgia em decorrência de um câncer na região pélvica. O presidente sofreu complicações e, conforme o governo, se recupera, em situação “estacionária”.
O lema da mobilização é “Yo Soy Chávez” (Eu sou Chávez), estampado em camisetas distribuídas pelo governo, e “Yo me Juramento con Chávez” (“eu juro com Chávez”, em espanhol).
“Enquanto Chávez estiver vivo será nosso presidente. É assim que deve ser”, diz Dulis Méndez, 52, que viajou mais de dez horas para chegar a Caracas para a festa. “O presidente somos todos nós. Chávez manda obedecendo o povo”, diz Méndez.
Entre os líderes presentes à festa estão José Mujica, do Uruguai, Evo Morales, da Bolívia, e Daniel Ortega, da Nicarágua. A Argentina enviou seu chanceler, Héctor Timerman, enquanto a presidente Cristina Kirchner viaja a Cuba ainda ontem, para visitar o colega venezuelano pessoalmente.
Ontem, o Tribunal Supremo de Justiça, chancelou o adiamento indefinido da posse de Chávez. Desta forma, os magistrados ratificaram a visão chavista de que a cerimônia de posse é uma formalidade sem data estipulada na Constituição. A data firmada pela Constituição, 10 de janeiro, vale só para a cerimônia no Legislativo.
Para os magistrados, a posse pode ser adiada porque é o próprio Chávez quem encabeça o próximo mandato. Há também continuidade administrativa e o vice-presidente, Nicolás Maduro, seguirá no cargo, assim como os demais ministros. Diferente do Brasil, o vice na Venezuela não faz parte da chapa eleitoral. É um cargo de livre nomeação pelo presidente que teria de ser validado, na leitura dos antichavistas, para o próximo período constitucional.
Oposição
Os parlamentares da MUD (Mesa de Unidade Democrática), coalizão opositora da Venezuela, anunciaram ontem que acatam a decisão da Justiça, mas convocaram para o dia 23 um ato de protesto contra o governo. “Acatamos a decisão do TSJ porque somos democratas, mas não vão nos silenciar”, disse o deputado opositor Alfonso Marquina. “Qual o real estado de saúde de Chávez?”, questionou.
A data escolhida pela oposição para a manifestação, 23 de janeiro, é simbólica porque marca a queda da ditadura de Marcos Pérez Jimenez (1953-1958) no país.