Douglas Reis |
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O incêndio levou cerca de uma hora para ser controlado pels bombeiros; telhado do imóvel foi destruído pelas chamas |
Um incêndio de média proporção atingiu a Lojas Americanas situada em frente à praça Rui Barbosa, no Centro de Bauru, na manhã de ontem. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o fogo começou por volta das 8h30 no depósito localizado no piso superior da loja e levou cerca de uma hora para ser controlado. Havia funcionários no estabelecimento, mas ninguém se feriu. A loja foi interditada pela Defesa Civil (leia mais abaixo).
O fogo, conforme explica o tenente do Corpo de Bombeiros Mário Augusto Damiati, consumiu 100% do depósito. A área térrea teve 20% de sua estrutura danificada. Na ocasião, a fumaça se propagou e tomou conta de alguns estabelecimentos próximos à loja, e o fornecimento de energia elétrica precisou ser suspenso.
O depósito abrigava produtos considerados inflamáveis, como cadernos, plásticos, enfeites natalinos, entre outros, que ficaram completamente destruídos. “Havia muita fumaça e gás oriundo da queima dos materiais, e isso acabou dificultando um pouco nosso trabalho”, frisa o tenente.
No momento em que a equipe chegou ao local, o incêndio tomava o canto superior direito do depósito e evoluía rapidamente para outros pontos. As labaredas podiam ser vistas de longe e, conforme moradores das proximidades, chegaram a atingir 4 metros de altura.
Parte do telhado acabou cedendo após ser consumido pelo fogo. Enquanto a reportagem acompanhava os trabalhos no local, um grande pedaço da laje de gesso, ao fundo da loja, também não resistiu ao calor e caiu sobre o piso térreo.
Além do Corpo de Bombeiros, que usou ao menos três caminhões de água para conter o fogo, a Polícia Militar (PM) e a Defesa Civil também foram acionadas.
A Polícia Científica compareceu para periciar o prédio e um laudo deve apontar nos próximos dias as causas do incêndio. Conforme informações preliminares colhidas junto ao Corpo de Bombeiros, entretanto, há suspeitas de que o fogo tenha começado em um ar condicionado da loja.
Susto
Segundo o JC apurou, cerca de dez funcionários estavam no interior da loja no momento do incêndio e alguns chegaram a passar mal porque ficaram nervosos.
Após notarem as chamas e acionar o socorro, eles evacuaram o prédio e alguns ainda acompanharam os trabalhos para a contenção das chamas pelo lado de fora.
Segundo a gerência da Lojas Americanas, parte dos trabalhadores seria remanejada para a outra unidade da rede, localizada no Calçadão da Batista de Carvalho.
Gerente de um restaurante ao lado do estabelecimento incendiado, Marilei Travagli, 42 anos, conta os momentos de apreensão de seus 12 funcionários e do comércio geral nas imediações da quadra.
“Foi um susto tremendo e uma correria total. Escutamos muitos estalos e vimos a fumaça, parecia que era aqui dentro. Na hora, desligamos os botijões de gás aqui do restaurante e corremos lá para fora, com medo de que o fogo também nos atingisse”, conta a gerente.
A situação modificou a rotina até mesmo dos ambulantes que utilizam a calçada da quadra 4 da Praça Rui Barbosa - continuação da Gustavo Maciel - como ponto de venda. Apreensivos com a situação, alguns deles decidiram deixar o local mesmo após o controle do incêndio.
“A rua ficará interditada e não teremos movimento. Então, é melhor prevenir do que remediar”, lamenta a ambulante Daniela Sakai, 25 anos, desarmando a barraca ao lado da loja atingida pelo fogo.
Desvio
Com a chegada do Corpo de Bombeiros, a frente da loja foi interditada, assim como o fluxo de veículos nas quadras 9 da rua Gustavo Maciel e na Praça Rui Barbosa. Durante toda a manhã, o desvio do trânsito foi feito pela avenida Rodrigues Alves e Agenor Meira. Por alguns momentos o trânsito ficou lento na avenida nas quadras 8, 9, 10, 11 e 12, sendo necessário o auxílio de fiscais da Emdurb.
Entretanto, mesmo com a interdição, dezenas de pessoas curiosas se aproximavam da porta da loja e até invadiram a faixa colocada pelos bombeiros na tentativa de observar a destruição após o controle do incêndio.
É o caso do instalador automotivo Bruno Ferreira, que ao ser questionado pela reportagem sobre sua presença na porta do estabelecimento, alegou que pretendia ir à loja comprar jogos de videogame.
“Ia passar na Americanas para comprar jogos, mas vi toda essa movimentação. Fiquei curioso e não resisti, queria saber o que aconteceu”, conta.
Risco iminente
Conforme a Defesa Civil, o trecho referente à quadra em que a loja está situada possui uma movimentação diária de mais de 2 mil pedestres.
Caso o fogo não tivesse sido controlado em tempo hábil, a interdição deveria afetar todo o trecho entre o Calçadão da Batista de Carvalho, a rua Primeiro de Agosto e a lateral da praça Rui Barbosa.
“Felizmente a proximidade com o quartel dos bombeiros e a rapidez na intervenção impediram que a tragédia evoluísse”, diz Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.
Entre os riscos está o grande número de restaurantes que a loja possui em seu entorno e, portanto, a quantidade de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP/gás de cozinha).
Conforme o JC apurou, o restaurante ao lado da Lojas Americanas possuía quatro botijões industriais no momento em que o fogo tomava o prédio.
Defesa Civil interdita estabelecimento
Acompanhado do engenheiro civil da prefeitura Júlio Natividade, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, esteve no local do incêndio, na manhã de ontem, para avaliar os danos provocados e eventuais riscos ao comércio das redondezas.
Após a avaliação, foi constatado que o local seria interditado. “Não há condições mínimas de funcionamento. Metade da estrutura está comprometida. As madeiras que sustentam o telhado viraram carvão e há riscos de desabamento”, apontou o engenheiro civil da prefeitura.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, os responsáveis pela empresa disseram no local que o prédio passou por manutenção em sua rede elétrica há 3 meses. O alvará de funcionamento do estabelecimento também estaria em dia, conforme o engenheiro da prefeitura.
“A empresa deve ter seguro e deverá trazer engenheiros para fazer suas avaliações técnicas para um projeto de reforma. Enquanto isso, a loja deverá permanecer fechada”, reforça Brito.
De acordo com o engenheiro, entretanto, a idade avançada de prédios não seria um fator determinante para ocorrências como a do incêndio ontem.
“Existem prédios na cidade que possuem mais de 80 anos e funcionam normalmente, pois recebem manutenções periódicas. Um exemplo é o prédio do Automóvel Clube.”
Ainda segundo ele, um problema isolado que envolve parte dos estabelecimentos comerciais na cidade atualmente é a mistura de entulho e produtos químicos pelas empresas em seus depósitos.
“Sem se dar conta dos riscos, alguns comerciantes acabam depositando produtos combustíveis como solventes próximos a papéis e entulhos. Infelizmente é uma coisa que não temos como fiscalizar”, considera Natividade.
Sobre o incêndio, a Lojas Americanas apenas informou por meio de nota que não houve feridos e que está colaborando com as autoridades competentes na apuração do ocorrido.
O prédio onde o incêndio ocorreu tem cerca de 40 anos e já funcionou como agência bancária e loja de departamentos. O local abriga a segunda unidade da rede no Centro de Bauru. A mais antiga fica no Calçadão.
