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Preço de material varia até 792%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Logo que o ano começa, quem tem filhos pequenos tem de preparar os bolsos e a sola do sapato. É chegada a hora de comprar os materiais escolares, que podem pesar no orçamento se o consumidor não pesquisar preços. Em Bauru, a variação de um mesmo item pode chegar a 792%, conforme pesquisa informal feita ontem pela reportagem do JC nas principais papelarias da cidade.

Esta diferença foi encontrada na caixa de lápis de cor com 12 unidades, vendida de R$ 1,85 a R$ 16,50. O segundo maior “vilão” foi fichário, comercializado a R$ 19,90 e a R$ 149,80 (variação de 653%). O terceiro item com maior desigualdade de preços, 323%, foi o caderno de 10 matérias, que custa entre R$ 8,95 e R$ 37,90 nas lojas pesquisadas.

Mas, embora comparar preços seja fundamental, o economista Mauro Gallo salienta que os pais devem ter bom senso, já que os preços também variam de acordo com a qualidade do produto. “Não adianta comprar uma mercadoria que não vá durar até o final do ano ou que vá prejudicar as atividades do filho na escola, mas é preciso ponderar se o preço cobrado pela grife”, frisa.

Outra dica importante é evitar levar os filhos às compras. Mas, se a ideia é incluí-los no processo para estimular a volta às aulas, a recomendação é negociar antes de sair de casa. “Vale combinar a compra de apenas um item com o motivo do personagem que ele esteja querendo, por exemplo, e os pais escolherem o restante. Do contrário, a conta pode ficar salgada”, comenta.

Nas lojas de Bauru, ontem, quase todos os pais estavam acompanhados de seus filhos. O casal Edna e César Filippini, planejavam gastar cerca de R$ 600,00 na aquisição do material dos filhos Poliana, 15 anos, Mariana, 11 anos, e Davi, 9 anos.


Compra conjunta

Entre muitos pedidos e alguma manha, garantiram que conseguiriam administrar o desejo da prole dentro do orçamento previsto. “A gente sabe que, se eles não viessem, ficaria bem mais barato. Mas a gente conversa e vem com antecedência para evitar tumulto e ter tempo para pesquisar bastante”, pondera Edna.

Uma outra boa saída para reduzir gastos é reunir grupos de pais para negociar descontos, principalmente dos livros, que geralmente são os itens mais caros da lista. “O grupo pode, inclusive, entrar em contato com as editoras para comprar diretamente delas e, assim, gastar ainda menos”, ensina o economista.

A mesma orientação vale para os materiais escolares. Juntos, os pais terão melhores condições de barganhar no varejo. “Geralmente, são pessoas que se conhecem das reuniões de pais e que podem tranquilamente efetuar compras em conjunto. É um ótimo negócio”, garante.

Trata-se, no entanto, de uma cultura ainda pouco explorada pelos consumidores, que geralmente compram sozinhos. Iniciante no desafio, a farmacêutica Priscilla Jeneffer Ribeiro de Aguiar, 34 anos, veio de Barra Bonita para Bauru em busca de preços baixos para a longa lista de materiais da filha Lara, de 2 anos.

Não sabia, no entanto, se conseguiria encontrar, na mesma loja, todos os itens exigidos pela escola. “É mais difícil do que eu imaginava. Se não der para levar tudo o que preciso, completo o que faltar na minha cidade, mesmo”, observa.


Essencial

A estudante Amanda Macedo Gomes, 17 anos, foi com o pai, o vigilante Carlos Aparecido Gomes, 42 anos, a uma papelaria para comprar apenas o essencial, já que este é seu último ano no ensino fundamental. Mas, mesmo levando apenas dois cadernos de 10 matérias, ela gastou R$ 56,00, um valor alto em vista dos modelos mais baratos vendidos no estabelecimento.

O produto, no entanto, tinha um personagem de desenho animado estampado na capa, cujo licenciamento geralmente encarece as mercadorias. Isso porque, além de ser um tipo de item bastante procurado, a indústria precisa pagar direitos autorais e repassa este valor para o varejo. “Em anos anteriores, já levei cadernos mais simples. Mas, como neste ano a lista de materiais era pequena, me permiti este luxo”, pondera a jovem.


Agora é bom momento para comprar com maior variedade

Ainda que as papelarias de Bauru não prevejam alta de preços até o final de janeiro, a melhor estratégia é não deixar as compras para a última hora. De acordo com as lojas consultadas pela reportagem, ao antecipar as compras, o consumidor conseguirá encontrar maior variedade de mercadorias - e, consequentemente, de preços -, além de produtos de coleções do ano passado que estão em oferta.

“Outra vantagem é que, nesta época, ele não enfrentará tumulto e ainda terá tempo para pesquisar. Na correria, quase sempre os pais compram sem comparar preços e sem levar em conta a relação custo-benefício”, pontua Nilo Sérgio Alves Junior, gerente de um estabelecimento do ramo com duas unidades em Bauru que, nesta época do ano, destacaram funcionários exclusivamente para realizar orçamento de materiais aos clientes.

Em outra loja da região central, a expectativa é semelhante. Mesmo com a perspectiva de receber nova leva de materiais até o final de janeiro, já há produtos que estão em suas últimas unidades e não devem ser repostos pelas fábricas. “Tem mochilas de personagens da moda, por exemplo, que já não tem mais para vender”, comenta o proprietário Valmir Alcielli.

De acordo com os estabelecimentos, o custo dos materiais escolares aumentou de cerca de 6% em relação ao ano passado, mesmo percentual apurado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O órgão aponta que, com exceção dos livros, as mercadorias subiram 5,31% entre janeiro e dezembro de 2012, quase o mesmo índice da inflação, que alcançou 5,74% no período.

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