O trecho de interceptores de esgoto que se rompeu em razão do assoreamento do rio Bauru na altura do Jardim Chapadão terá de ser reinstalado pela construtora responsável pela obra, a Passareli, incluindo a recomposição da margem e a contenção de erosão na margem do leito d´água na região.
A avaliação é da Diretoria de Planejamento do Departamento de Água e Esgoto (DAE), através dos diretores de planejamento e de serviços de projetos, respectivamente Nucimar Paes e Fernando Offerni. “A obra não foi entregue pela construtora vencedora da licitação, até porque ela não reparou problemas em outro trecho. Pelo contrato, ela é responsável pela manutenção da obra nas condições ideais até a entrega ao DAE. A construtora será notificada a reparar o problema e instalar novos tubos no trecho que rodou”, abordou Nucimar Paes.
O rompimento de sete tubos de 1,2 m de dimensão cada, em uma extensão de 25 metros em uma das margens do rio Bauru, foi apontado com exclusividade pelo JC, ontem. A ocorrência está situada na margem direita do rio Bauru, para quem “sobe” do Terminal Rodoviário em direção ao Jardim Chapadão.
O problema foi identificado pelo DAE no dia 3 de janeiro passado. Mas quem contou o rompimento da rede para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) foi o JC, em telefonema, ontem à noite.
Para a engenheira Nucimar Paes a distância projetada para a instalação no trecho foi adequada, mesmo com o local indicando visivelmente o aprofundamento de erosão na margem do rio acumulado no tempo. “Na época da contratação a condição do local para instalação do interceptor nesse ponto não era de assoreamento. O projeto resguarda 30 metros da margem. No meu entendimento a construtora tem de reparar o que houve por sua conta. A obra tem de ser entregue em condições ideias para o DAE”, ponderou.
O também diretor Fernando Offerni ressalta que a obra não foi entregue, o que mantém a construtora respondendo integralmente pela manutenção das instalações até que o DAE receba e passe a ser responsável pelo trecho.
Paes considera que as chuvas do final do ano levaram à ocorrência. “O rio Bauru tem tendência de ficar sinuoso e a água acumulada no período passou em grande velocidade no trecho. Mas o projeto leva em conta essas condições já conhecidas.
O setor de planejamento do DAE soube da ocorrência no dia 3 de janeiro passado. A obra de instalação terminou em novembro já de 2011, segundo a diretora. “Como está em discussão a necessidade da empreiteira também repor o trecho de tubos de 2 metros de diâmetro, que apareceram fissurados, a obra ainda está com eles”, esclareceu.
Este é o terceiro problema enfrentado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) na atual gestão na realização do atrasado cronograma físico-financeiro de obras de interceptores de esgoto, obra fundamental para a retirada in natura dos resíduos de esgoto despejados no rio Bauru. O DAE também precisa resolver, além do trecho de tubos que rodou na margem do rio Bauru, a instalação de trecho de cerca de 1.00 metros de interceptores com a fissura mias acima do local onde os tubos rodaram. AS fissuras estão na região mais próximas do Distrito Industrial I, onde será instalado a futura ETE.
Prazo para fazer
Nucimar Paes informou, ao lado do novo presidente Giasone Cândia, durante a entrevista, que a Passarelli será notificada com prazo para resolver os problemas. “O trecho fissurado tem de ter o reparo e vamos conceder 15 dias para que os trabalhos aconteçam. Já a instalação do que rodou depende da avaliação do jurídico e de outra notificação”, citou.
Para o trecho fissurado, Nucimar Paes acredita que a construção em concreto armado por dentro dos tubos no trecho com problema resolve a pendência, embora a saída reduza as dimensões internas do interceptor.
O rompimento interrompe no novo trecho interrompe, mais uma vez, o prognóstico do prefeito de eliminar o despejo de esgoto na parte mais urbana do rio Bauru, promessa ainda do início de seu mandato anterior.
As obras de interceptores de esgoto são financiadas pelos bauruenses com o pagamento de 40 pontos percentuais a título de tarifa de esgoto na conta mensal de consumo de água. O dinheiro é carimbado e só pode ser utilizado para obras do tratamento de esgoto. Em 2012, o fundo arrecadou R$ 17 milhões.
Laudo da fissura
Laudo da consultoria Falcão Bauer aponta que pelo menos 1.000 metros de interceptores de esgoto em um trecho às margens da Avenida Nuno de Assis apresentaram fissura. A denúncia foi levantada em apuração exclusiva do JC no final do ano passado. O valor envolvido chega a R$ 3 milhões neste trecho.
A fissura confirmada no laudo da Falcão Bauer apareceu, segundo o laudo, porque o produto fabricado não está adequado. Em razão de divergências na execução de serviços realizados pela empreiteira Passareli, que venceu a licitação do trecho 1 contratada pelo DAE para uma parte da Nuno de Assis, uma medição do contrato teve valor retido.