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Comece (e termine) o ano no azul

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Os primeiros dias do novo ano chegaram e, depois do estouro do champanhe, o temor é por outro tipo de “barulho” na cabeça: o da conta bancária. Após a festa de gastos de dezembro, a enxurrada de compromissos financeiros que chega em janeiro pode transformar o riso em choro e até comprometer o restante do ano.

IPVA, matrículas e material escolar, despesas com crediário que começam a dar as caras depois das dívidas feitas no final do ano passado, viagens... O que não falta é motivo para coçar a cabeça sempre em que se abre a carteira.

Disciplina, organização, autocontrole. Por mais que essas dicas possam parecer batidas, ainda são algumas das chaves para uma vida financeira equilibrada. “Planejamento é obrigatório para qualquer pessoa”, recomenda o economista Carlos Roberto Sette.

Um ano inteiro no azul, avalia o economista, também depende de como encerramos o período anterior. Reservar uma parte do 13º salário, orienta o economista, ajuda a, ao menos, minimizar a pancada de janeiro. “O ideal é fazer essa reserva. O período também concentra o surgimento das contas feitas no Natal”, observa.

Entrar no cheque especial, considera o economista, não é bom negócio. Quem possui alguma reserva, deve optar por pagamentos a vista ou, se possível, parcelamentos fora dos exorbitantes juros do cartão de crédito ou cheque especial.

“O IPTU, por exemplo, deve ser quitado à vista ou parcelado. Mesmo com a perda do desconto é melhor do que arcar com os juros bancários”, ilustra.

Bola de neve

Com os juros no cheque especial variantes entre 6% e 8% ao mês, na alarmante casa dos 100% ao ano, optar pelos parcelamentos longe dos bancos é a melhor saída para não se enrolar daqui para a frente, reitera.

O alerta do economista sobre os riscos de se entrar numa bola de neve com o cartão de crédito ou cheque especial é endossado também por um recente levantamento, divulgado no final de dezembro passado, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Confederação Nacional dos Dirigentes Logistas (CNDL).

Conforme a pesquisa, 38% dos entrevistados com contas atrasadas possuem alguma fatura não quitada no cartão. Destes, 82% disseram estar com as contas atrasadas há mais de 90 dias. Também conforme o levantamento, 93% das pessoas que afirmam não encontrar problemas com pagamentos dizem se organizar e conseguem quitar as faturas antes do vencimento.

Para não se enrolar ainda mais com cheque especial ou cartão de crédito, quem está no vermelho, aconselha o economista, pode encontrar facilidades em sair desta situação com o crédito consignado. “Vale mais a pena quitar o débito bancário por meio desses empréstimos, cujos juros mensais estão em 2% ao mês. É muito menos do que os 8% cobrados por bancos particulares”, compara.


Economia na ponta do lápis

Planilhas online, contas e porcentagens esmiuçadas em tabelas incrementadas no excel ou softwares invocados comprados pela Internet....Nada disso funciona se não há iniciativa. “Pode ser anotando despesas e receitas no papel de pão. Planejamento pessoal é questão de cultura”, diferencia o economista.

Apesar de simples, a equação que envolve a soma dos ganhos menos as despesas habituais e imprevistos, com o saldo guardado ou destinado ao que não é essencial dificilmente é aplicada. Na visão do economista, colocar em prática o conceito de gastar apenas o que se tem depende, e muito, do complexo duelo “emoção x razão”.

“Apertou? Tira o supérfluo. O problema é que não temos a cultura do planejamento pessoal, vamos muito na emoção. Somos conduzidos aos problemas financeiros”, diagnostica.

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