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Comércio de especialistas em tudo!

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

Há um ano, Jessyca Ribeiro Ramos aposta em um hotel específico para gatos

Você já se perguntou, ao passar em frente a uma loja especializada em segmento extremamente restrito: ‘nossa, alguém vive de vender apenas isso?” A resposta é sim. O único engano: o termo “apenas”. Em Bauru, lojas ou prestadores de serviços segmentados vão a fundo no que oferecem e disponibilizam variedades que surpreendem pelo tamanho do estoque e até raridades.

Desde uma empresa tradicional no comércio de relógios de ponto – sim, o equipamento vende muito – até firma especializada em vender e localizar todo quanto é modelo e tamanho de azulejos, o comércio bauruense reúne uma sorte de lojas destinadas a público segmentado de A a Z.

De acordo com a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) ainda não há um levantamento específico sobre o quanto, em cifras, os estabelecimentos que trabalham com artigos segmentados representam na balança no setor varejista da cidade.

Contudo, as lojas de público restrito, garante Paulo Roberto Martinello, presidente da entidade. Segundo ele, por mais específico que um artigo seja, a tradição é um forte aliado tanto para manter os clientes cativos como atrair novos. “São produtos e estabelecimentos que se tornam referência”, observa.

A cidade, considera ele, é privilegiada pela variedade de estabelecimentos comerciais especializados. Além de atender a uma vasta gama de clientes em busca de produtos específicos, os estabelecimentos do gênero também ajudam como pilares comerciais em eventuais crises, pela diversificação.

Economista, Mauro Fernando Gallo compartilha esta visão. “A variedade de ramos de atuação permite que a cidade sempre tenha algo fora de eventual má fase, diferente de outros municípios com praticamente uma veia comercial mais forte”, observa.

Além da condição de Bauru como polo regional comercial, outro fator que propicia a implantação de estabelecimentos com algo grau de segmentação, observa o economista, é a localização da cidade, praticamente no centro geográfico do Estado. “O porte da cidade e a região onde está situada facilitam”, relaciona.

O economista calcula uma atuação de um raio mínimo de 150 quilômetros para o comércio específico em Bauru. “Alguns ramos têm a procura de empresas de outros Estados”, salienta.

Ele acredita que o setor deve crescer nos próximos anos. “Tivemos um momento de estagnação após uma queda. Agora o cenário é outro. A tendência é crescer, pois vivemos um momento econômico favorável, com dois shoppings fortes, que deve atrair ainda mais demanda para a cidade”, analisa.


Caçador de azulejos

Só mesmo uma visita à loja, na Vila Seabra, para começar a se ter uma ideia da vastidão de estoque, mantido criteriosamente organizado e variado pelo proprietário Roberto Garcia Rodrigues. Aberto em 1985, pelo então desenhista que resolveu trocar a prancheta pelo comércio, o Asilo dos Azulejos deveria se chamar oceano.

Vastidão é o melhor termo para mensurar o tamanho e variedade de azulejos, pisos, cantoneiras e tudo o que mais existe em cerâmicas, porcelanatos e afins. O estoque de 30 mil metros quadrados, lembra o dono da loja, daria para “azulejar o estádio do Pacaembu”, brinca, referindo-se a termo utilizado em antiga reportagem, feita pelo próprio JC, no local.

Não há o que Roberto não consiga fornecer para os clientes, atesta ele. “Saímos em busca. Se eu não tiver aqui, vou atrás, basta me trazer uma amostra”, garante. “Tenho coisas do tempo da vovó”, diverte-se.

Entre as altas fileiras de prateleiras, cada uma destinada a uma marca diferente, algumas delas já desativadas, outras de fábricas na ativa com modelos atuais, outros fora de linha, o proprietário orgulha-se da amplitude atingida pelo negócio aberto com pretensões mais modestas na época em que deixou a capital para morar em Bauru.

“As fábricas alteram padrões de material a cada três anos. Muita gente às vezes precisa trocar uma ou poucas peças e fica na mão. Então nós vamos atrás. Gostamos de resolver problemas”, afirma o caçador e vendedor de relíquias, algumas muito antigas, até mesmo dos anos 1950.


O pulo do gato

Artigos e lojas especializadas para animais de estimação já não são novidade para ninguém. Neste caso, a saída para quem quer empreender e inovar é o segmento dentro do segmento. É o que fez Jessyca Ribeiro Ramos que, há um ano, aposta em um hotel específico para gatos. “Sempre gostei deles, bichos que merecem um tratamento exclusivo, diferenciado”, considera. “Bauru tinha apenas hotel para cachorros. Para gato, o nosso é o primeiro”, garante

Com capacidade para 25 hóspedes, como faz questão de distinguir a proprietária, o Refúgio dos Gatos já tem expansão à vista, com área para “gestantes” e animais idosos. “Teremos a maternidade e um local com ainda mais conforto para gatos com mais idade ou que necessitem de cuidado especial”, diferencia ela, ao lado das caminhas específicas para os bichanos.

Segundo ela, a convivência no “resort felino” é pacífica. “Aceitamos apenas gatos castrados. No começo eles podem até estranhar um pouco, mas rapidamente ficam ambientados. Os proprietários ficam tranquilos, afinal, muita gente deixa de viajar porque não tem com quem deixar”, salienta.


Farda e cia.

Desde uma calça camuflada no padrão do exército norte-americano, até um fardamento completo da aeronáutica ou forças de segurança como as polícias militares do Estados de São Paulo ou Mato Grosso do Sul. De tudo envolvendo o mundo militar, a loja instalada na avenida Rodrigues Alves, próximo ao cruzamento com a Nações Unidas, possui.

Instalado há dez anos na cidade, mas agora com maior evidência ao grande público, devido à melhor localização, a loja é um pedacinho da caserna para quem admira o meio militar e parada obrigatória para quem trabalha na caserna.

Mas alto lá. Nem todo artigo é liberado para civis. Tarjetas com nomes, armas brancas e uniformes padronizados, garante o gerente André Fábio da Silva, são exclusivos para profissionais militares ou das forças de segurança, devidamente identificados.

No entanto, quem busca apenas curtir a moda verde-oliva ou alusiva a qualquer outro exército, também tem diversão garantida, sem, entretanto, correr o risco de ser processado por falsidade ideológica. “No caso das roupas para civis, elas são descaracterizadas e não seguem o padrão das fardas oficiais”, acentua.

“Além da área militar e policial, atuamos com empresas de segurança e profissionais de saúde”, acrescenta a também gerente Célia Patrícia Bernardini.

O estabelecimento, que funciona com autorização das instituições, garante ele, atende não apenas cidade e região, mas também a clientes de outros Estados, alguns com longa marcha como Pará, Rio Grande do Sul ou Tocantins. “Nunca vendemos artigos restritos para civis”, assegura o gerente da loja, cuja abrangência regional é de 200 quilômetros.


Tradição enraizada

Não muda. Há 34 anos, Mário de Campos Penteado convive com a harmonia, aroma e beleza das plantas frutíferas. Somente com mudas.

São pés de frutas desde cítricas até ornamentais...o que não falta na loja, instalada na Marcondes Salgado, é verde e variedade e, como em todo negócio de segmento em Bauru, clientes fiéis e de longe. “Atendemos a região inteira e até outros Estados. Temos clientes do Rio de Janeiro, Cuiábá e até do Acre”, orgulha-se o proprietário.

Entre as principais estrelas, elenca Penteado, mudas de mangueira e jaboticabeira, neste caso, principalmente, da espécie sabará híbrida, que produz na mesma intensidade como a loja é visitada. “O ano todo”, garante.


Ponto a ponto

Até mesmo relógios de ponto encontram loja específica em Bauru. No caso do estabelecimento de Nilton César Salvador, no centro da cidade, que, inclusive tem concorrentes na cidade, a tradição é um dos maiores esteios. Além dos clientes cativos, a loja está enraizada por uma forte carteira de compradores de fora da cidade.

“Trabalhamos com uma região muito grande”, observa o comerciante, no ramo há 35 anos. Desde antigos relógios manuais até modernos sistemas de registro digital, a loja também presta manutenção para equipamentos marcadores de inícios e términos de jornadas de trabalho em Bauru e outros municípios. “Nosso raio de atuação é de 200 quilômetros”, calcula.

 

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