Em tempos de interrupções recorrentes de abastecimento de água, moradores e comerciantes que possuem imóveis com caixas d’água pequenas correm um grande risco de ficar com as torneiras secas por não atualizar o dispositivo em seus imóveis.
O ideal é que o reservatório possa armazenar 200 litros de água para cada morador. Ou seja, numa casa onde vivem quatro pessoas, a caixa deve ter, no mínimo, capacidade para 800 litros. Como margem de segurança, deve-se acrescer 25% sobre o resultado, o que, no exemplo citado, totalizaria 1.000 litros.
Mas, principalmente nos bairros mais antigos da cidade, é comum observar residências e estabelecimentos comerciais dotados de dispositivos muito menores. Em um bar localizado na quadra 5 da rua Altino Arantes, na Vila Souto, a proprietária Vera Lúcia Bento de Oliveira, 54 anos, dispõe de um reservatório de apenas 300 litros.
“Falta água direto. No ano passado, tive que fechar o bar três vezes porque não tinha como lavar nada, nem como usar a descarga no banheiro”, relata. Há poucos dias, ela comprou uma caixa nova, com capacidade para 1.000 litros, que ainda não teve tempo de instalar. “Acho que vai resolver o problema, pelo menos para não ter mais de fechar o bar”, completa.
Já o morador Luís Carlos Gaido, 61 anos, instalou em sua casa duas caixas d’água de 1.000 litros, cada. Como mora apenas com a irmã, quase nunca enfrenta problemas de abastecimento.
Mas, ainda que prevenido, não consegue se livrar de um incômodo: a água barrenta que, vez ou outra, insiste em jorrar das torneiras. “Desde setembro, já tive que mandar lavar as caixas cinco vezes. E esse serviço é a gente quem tem de pagar”, reclama.
Como resultado, toda vez que o problema acontece, ele acaba não podendo usar o produto. “Não dá para lavar roupa, para beber água, cozinhar e tomar banho. A qualidade da água é péssima”, observa.