O nado sincronizado no Brasil é muito pouco conhecido porque é pouco praticado. Há pouco tempo a Seleção Brasileira não tinha nem local para preparação. Atualmente, o Parque Aquático Maria Lenk, no Complexo Esportivo Cidade dos Esportes, na Barra da Tijuca, no Rio, também é usado pelas meninas do nado sincronizado. As Olimpíadas do Rio 2016 pode ser o pontapé para uma transformação de várias modalidades esportivas no Brasil. “Precisamos massificar o esporte para as próximas gerações”, define a atleta do nado sincronizado Isabela Moura, que ao lado de Lara Teixeira participou, ontem, de um bate-papo e caiu na piscina do Sesc/Bauru para uma demonstração da modalidade.
Lara Teixeira faz parte do atual dueto da seleção brasileira ao lado da sua parceira Nayara, com quem participou dos Jogos Olímpicos de Londres (2012). Já Isabela, ao lado de sua irmã Carolina, participou da final nos Jogos Olímpicos em Sydney (2000). Isabela, 30 anos, e Lara, 25 anos, investem em suas carreiras, apesar dos problemas na modalidade, que estará nas Olimpíadas Rio 2016, no Brasil.
O esporte precisa de estrutura para atrair mais praticantes, aumentar o número de professores e ampliar as agremiações que praticam. Lara comentou que não é fácil obter patrocinador para uma modalidade vista nos Panamericanos e Olimpíadas somente a cada quatro anos. As meninas mencionaram que poucos clubes investem na modalidade. Elas citam o Paineiras, o Corinthians e o Círculo Militar. No Brasil, há duas competições anuais no Estado de São Paulo (Campeonato Paulista) e o Campeonato Brasileiro.
Lara e Isabela comentam que os treinos nos clubes exigem de quatro a seis horas de dedicação diária, no período de competições. Já na Seleção Brasileira são oito horas diárias de segunda a sábado. São treinos de musculação, condicionamento aeróbico e flexibilidade (pilates). Lara relembra que no Panamericano do Guadalajara 2011, no México, teve que enfrentar a altitude. “Não pode deixar que os juízes percebam que cansou”, completa Lara, que disputou provas de dueto com Nayara Figueira. Nos Sulamericanos e Mundiais de nado sincronizado há provas de solo, dueto e equipe. Nas Olimpíadas e Panamericanos disputa-se somente provas de dueto e equipes.
Nadar bailando
Quem pratica balé tem boas possibilidades de se dar muito bem no nado sincronizado, que exige leveza, força, potência e distribuição de muitos sorrisos. Não pode tocar ou se apoiar em nenhuma parte da piscina. Nas categorias adultas uma coreografia é montada em duas semanas, conforme Lara. Já as crianças trabalham por até um mês. Isabela Moura comenta que o nado atrai as crianças pela possibilidade de se associar esporte ao lúdico. Ela frisa que a criança se estimula ao vivenciar um personagem de história, como uma princesa. “A cada cambalhota que eu fazia ficava feliz”, recorda. Além do nado ser um exercício completo, faz muito bem ao corpo.
A tricampeã sulamericana Isabela é atleta do Paineiras, da Capital. Integrou a Seleção Brasileira de 1995 a 2001. Lara conquistou duas medalhas de bronze no Panamericano do Rio 2007. Competiu nas Olimpíadas de Pequim 2008. Em parceria com Nayara Figueira conquistou o bronze no dueto nos Jogos Panamericanos em 2011, quando também ganhou a medalha de bronze por equipe. Conheça mais do esporte no site www.laraenayara.com.br.