Porto Alegre - Em sua primeira manifestação pública após reportagens da “Folha de S.Paulo” que mostraram que a empresa de um assessor recebia verbas de emendas suas, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) negou ter cometido irregularidades e disse não ver conflito de interesses na atuação de seu funcionário.
Alves, que deve ser o próximo presidente da Câmara, começou em Porto Alegre, ontem, um giro por 12 Estados em uma campanha para a eleição no Congresso, que ocorre em fevereiro.
No último domingo, a “Folha” mostrou que pelo menos três prefeituras do Rio Grande do Norte, à época governadas pelo PMDB, contrataram a empresa do assessor Aluizio Dutra de Almeida para fazer obras com recursos de emendas orçamentárias propostas pelo peemedebista. O funcionário acabou pedindo demissão ontem.
O deputado disse que o caso se trata de um “jogo pré-eleitoral” e que o assessor se exonerou por “lealdade”. “Se eu for relacionar a quantidade de emendas, de convênios que eu destinei ao meu Estado e ao meu município nos últimos dez anos, beira as mil. De repente, sou acusado de (irregularidades em) três emendas ali ou lá. É um negócio difícil de entender, mas, como democrata, tenho que aceitar.”
Sobre a situação do assessor, disse que o funcionário estava afastado da gerência da empresa que recebeu recursos e apenas tinha cotas da companhia.
O deputado disse ainda que as escolhas de empresas para as obras questionadas foram fiscalizadas por Tribunais de Contas e a Controladoria-Geral da União (CGU).
Alves cumpre o seu 11.º mandato na Câmara e tem o apoio do PT e dos principais partidos para a eleição. Na viagem, esteve acompanhado do atual presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), e de seu candidato a vice, André Vargas (PT-PR).
Em Porto Alegre, o deputado foi a um almoço organizado pelo PMDB com cerca de 20 congressistas gaúchos.