O Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi até o Ministério das Cidades para solicitar recursos para a perfuração de 11 poços e construção de 13 reservatórios, que compõem um dos mais críticos problemas da Prefeitura de Bauru: abastecimento de água. A solicitação, em Brasília (DF), quebra jejum de pelo menos 20 anos com ausência de projetos em escala na área de abastecimento para serem disputados com outras cidades no governo federal.
A reivindicação também atende pedido particular do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) de que diferentes áreas do governo disputem recursos federais sem esperar ação direta do Palácio das Cerejeiras. A deficiência na área de abastecimento levou a autarquia, ainda na gestão Fábio Lara, no final do último ano, a encaminhar o programa em Brasília.
Para o diretor de produção do DAE, Igor Fournier, o projeto contempla a ambição da autarquia de responder a solicitações já em curso para uma série de empreendimentos cujas aprovações vão depender da demanda de água oferecida. “Hoje temos deficiência em vários setores da cidade. O DAE está com plano em andamento de setorização e com plano de ação onde está inscrito continuar as etapas de reforma da ETA, por exemplo, e o investimento em telemetria. Mas sem reservação e novos poços o problema atual continuará”, aborda.
Fournier considera, aliás, que o ponto crítico está na reservação. “Temos um sistema com limitações nas interligações e isso precisa continuar avançando. Mas sem reservação fica muito difícil os moradores não enfrentaram algum tipo de problema com abastecimento, porque todo sistema quebra, tem avarias, depende de manutenção adequada e precisa de fôlego para ser recuperado quando apresenta algum rompimento”, cita.
O diretor conta que o DAE priorizou a expansão dos reservatórios atuais. “Temos na solicitação enviada ao Ministério das Cidades 13 obras de reservatórios previstos, o que permitiria fôlego em diferentes regiões caso o sistema tenha alguma pane. Hoje a capacidade de reservação é bastante limitada”, comenta.
E se o poder público não faz sua parte com instalação de novos dispositivos para reservação de água, o cidadão também. Bauru tem histórico de milhares de moradias com caixas ainda com 250 litros ou mesmo 500 litros. O “ideal” é que uma residência com quatro pessoas contenha caixa com capacidade de 1.000 litros.
Neste caso, como os rompimentos de sistema, em média, levam um dia para serem consertados, a falta de água teria menos impacto com a ampliação da reservação. A questão também tem de ser resolvida sobre novas moradias aprovadas pela Prefeitura, sobretudo para conjuntos habitacionais de menor custo.
Se os projetos foram aprovados para as 13 unidades, o DAE vai precisar de pelo menos R$ 7 milhões para atacar esta frente. Outra demanda, por poços, contém 11 pedidos de perfuração a preço médio de R$ 1,2 milhão cada. No ano passado, o DAE fechou o caixa com pouco mais de R$ 6,2 milhões de saldo. O resultado positivo permitiria investimentos em pelo menos cinco novas unidades. Os pedidos dependem de gestão política em Brasília (DF).