Regional

Barragem estoura e interdita Rondon

Lilian Grasiela com José Maria Tomazela e Tisa Moraes)
| Tempo de leitura: 2 min

A chuva forte que atingiu a região de Bauru entre a noite de anteontem e madrugada de ontem provocou o rompimento de represas e o transbordamento de rios e córregos, deixou ruas e imóveis alagados e impediu a viagem de quem pretendia fazer o trecho Bauru-São Paulo nos dois sentidos. Na altura do quilômetro 280 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), entre São Manuel e Areiópolis (69 quilômetros de Bauru), a água inundou as quatro pistas e gerou longos congestionamentos. As duas pistas no sentido capital só foram liberadas depois de 8 horas de interrupção.

A barragem, a última de uma sequência de três represas, fica numa fazenda à beira da estrada e não suportou o volume de água acumulada pelas chuvas intensas que atingiram a região. Com a rodovia interditada nos dois sentidos, o congestionamento chegou a mais de dez quilômetros no sentido interior - capital e cerca de seis quilômetros no sentido oposto

O local não oferecia opção de desvio e a concessionária Rodovias do Tietê precisou liberar o acostamento para que os veículos leves retornassem pela contramão, com o apoio da Polícia Rodoviária. Bombas de sucção foram usadas para reduzir o nível da água, sem muita eficácia. Foi preciso esperar que houvesse o escoamento natural do volume que jorrou para a pista.


Transtorno

Por causa da interdição, quem fazia o trajeto Bauru-São Paulo, nos dois sentidos, teve a rotina alterada. Foi o caso da bancária Jacqueline Teles, que não conseguiu ir trabalhar em São Manuel. Ela saiu de Bauru às 8h, mas próximo ao pedágio, a Polícia Rodoviária improvisou um desvio no canteiro central para que os veículos pudessem retornar de onde vieram. Foi o que ela fez. “Ou teria que ficar esperando até a liberação ou dar uma volta enorme para chegar à cidade. Resolvi desistir”, contou.

Um engenheiro que preferiu não ser identificado que saiu de Bauru com destino a Botucatu também fez a mesma opção. “Voltei. Estava perigoso, chovia e eu teria de ficar várias horas esperando.”

De acordo com a concessionária, a rodovia só foi liberada completamente ao tráfego após 16h, ou seja, 8 horas depois de ser interditada. Equipes continuavam no local no início da noite para a limpeza das pistas.

Segundo o IPMet da Universidade Estadual Paulista (Unesp), entre a 0h e às 16h de ontem, choveu na região uma média de 50 milímetros. O meteorologista José Carlos Figueiredo diz que, em alguns locais, como o trecho entre São Manuel e Areiópolis, essa precipitação foi mais intensa.

Ele explica que, para esse período do ano, o volume de chuva é considerado normal. “O anormal é não chover nessa época. E é bom que chova do jeito que foi essa chuva, sem vendaval, porque essa chuva alimenta os rios. Ela só vai provocar estragos nas cidades que não tem um planejamento para qualquer tipo de chuva”, afirma. O temporal provocou estragos em São Manuel, Botucatu, Avaí, Arealva e Borebi.

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