A Polícia Civil prendeu, na manhã de ontem, um homem acusado de estar vinculado à quadrilha de assaltantes que foi desmantelada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em dezembro do ano passado. Entre os crimes praticados, o grupo teria feito um casal refém em uma chácara e roubado uma casa de um condomínio de alto padrão de Bauru.
Ao todo, seis pessoas que teriam participação direta nos roubos já foram presas. Ontem, Jonata Fernando da Cruz Alves, 21 anos, conhecido como “Joe”, foi capturado em Agudos, sob suspeita de ter vinculação com os criminosos. Seu nome foi citado nas correspondências apreendidas pela DIG em 15 de janeiro deste ano, quando Renato Cesar Fernandes, 29 anos, conhecido como “Nato”, também foi preso.
“Nas cartas, ele foi indicado pela quadrilha para participar de um roubo a uma fazenda da região, que acabou sendo frustrado por conta da nossa ação antecipada”, comenta o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG. De acordo com ele, como sabiam que já estavam sendo investigados, os integrantes do bando, antes de serem presos, fugiram de Bauru para Agudos, onde continuaram articulando os assaltos, escondidos em um barracão.
Foi nesta ocasião que conheceram Jonata. Além do assalto à fazenda, ele também teria sido chamado a participar de um roubo a uma agência bancária de Borebi, crime que também foi impedido pela polícia. “No dia em que eles tinham programado fazer o assalto (3 de janeiro), três deles foram presos”, destaca o delegado.
Ação coordenada
Por meio de uma ação coordenada em parceria com a Polícia Civil de Agudos, Jonata foi encontrado em sua casa, na manhã de ontem, na Vila Vienense. Ele negou envolvimento com o bando, mas confirmou conhecer os integrantes e ter sido convidado a participar dos crimes.
O acusado também confessou possuir uma arma de fogo - como havia sido descrito na carta apreendida pela polícia - e levou os investigadores até uma casa localizada no Jardim Europa, também em Agudos. O revólver calibre 38, com numeração raspada, estava dentro de uma nécessaire, na casa de uma senhora com sinais aparentes de ser portadora de distúrbios mentais.
Junto à arma, também foram apreendidos 10,3 gramas de cocaína e 16 gramas de maconha. “Ele alegou que seria para consumo próprio, mas foi preso por tráfico de drogas e porte ilegal de arma”, observa Nascimento. Ainda ontem, Jonata seria encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru.
O acusado já tinha passagem pela polícia por roubo praticado em 2009 a uma padaria de Lençóis Paulista. Em 2010, também foi preso por porte irregular de arma, em Agudos. Na época, segundo o delegado, o rapaz já era suspeito de integrar uma quadrilha que realizava assaltos a residências de Bauru.
Roubos e sequestro
A quadrilha desarticulada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) é acusada de ter articulado pelo menos dois crimes em Bauru. No dia 18 de dezembro, eles teriam invadido um condomínio na Vila Samaritana, mas não obtiveram sucesso na tentativa de roubo e fugiram a bordo de dois veículos.
Dois dias depois, renderam um casal de empresários no momento em que chegavam a uma chácara no Vale São Luiz, zona rural de Bauru. As vítimas tiveram a residência roubada e foram amarradas e obrigadas a percorrer algumas ruas da cidade na companhia dos assaltantes. Na ocasião, os criminosos ainda tentaram extorquir R$ 400 mil dos empresários.
Os primeiros a serem presos, no dia seguinte ao sequestro-relâmpago, foram André Luiz da Silva, 24 anos, o “Bila”, Peterson Ricardo de Moura, 21 anos e Abenício José da Silva, 41 anos, conhecido como “BN”. Os dois primeiros foram encontrados em um barraco no Parque Real e o último estava a caminho do Terminal Rodoviário de Bauru para retornar à Capital, sua cidade de origem.
No dia 3 de janeiro, foram capturados, em Agudos, Amauri Fernando Parras Luque Vogt, 34 anos, o “Monstro”, Tiago Rissardi Cipriano, 22 anos e Adriano Vieira da Silva, 36 anos. Assim como Jonata Fernando da Cruz Alves, preso ontem, Adriano teria sido escalado apenas para o roubo à agência bancária de Borebi, que acabou não acontecendo.
No dia 15 de janeiro, Renato Cesar Fernandes, 29 anos, vulgo “Nato”, também foi preso. Ele teria participado dos dois crimes e foi localizado em sua residência, no Jardim Ouro Verde, portando correspondências trocadas entre ele e outros dois integrantes da quadrilha, Vogt e Cipriano.
Outro acusado identificado pela polícia é Alex Prado de Souza, 21 anos, que morreu após ser baleado no dia 24 de dezembro, por um homem ainda não identificado, no Parque Santa Cândida, em Bauru.