O nome Botucatu é de origem Tupi-Guarani (Ybytu-Katu) e significa bons ares. Segundo o presidente do centro cultural da cidade, João Carlos Figueiroa, Ybytu indica a terra em ponta, a montanha, o vento bom e saudável e o clima agradável. Enquanto que Katu, bom. “Por dedução, clima bom, bons ares. Um slogan usualmente aceito. As pessoas dizem isso: o clima da cidade é bom.”
Figueiroa explica que Botucatu fica em uma região que deveria ser um clima temperado, porém se comporta como sub tropical. “Botucatu está dentro de uma região considerada de clima temperado, mas a altitude acaba influenciando.
Segundo os climatologistas, a cidade deveria ter verão quente e chuvoso e inverno frio e seco. Por conta da altitude, tem um ‘comportamento’ diferente. Sofre efeito dos ventos porque estamos à beira da Cuesta.”
O clima tropical de altitude é o da Serra da Mantiqueira, Vale do Paraíba, onde está Campos do Jordão. “Lá o clima é definido como um verão suave. O nosso é quente e úmido. O inverno lá é rigoroso e seco, enquanto o nosso é pouco frio. Não se compara com o frio de Campos de Jordão.”
Frescor
Botucatu, segundo Figueiroa, está em uma altitude média de 800 metros um pouco mais ou menos. “Isso é que proporciona um pouco de frescor, principalmente á noite. Em função do clima, na década de 20 e 30, recebia doentes de tuberculose.”
Ele explica que a estação ferroviária de Capão Bonito, hoje Rubião Jr., tinha em seu entorno uma série de casas de repouso e hotéis. Recebiam pessoas com tuberculose.
“Rubião tem altitude entre 930 a 980. É acima da altitude da cidade que fica a cinco quilômetros de distância. Devido ao clima, o Estado projetou hospital para tuberculosos em toda a região. Tinha um em Américo Brasiliense, um em Garça e um, aqui. O daqui não chegou a ser inaugurado porque foi descoberta a droga que curava a doença.”
A descoberta possibilitou que o tratamento fosse feito em casa e os doentes não precisavam mais do isolamento.
“O hospital ficou parado e, depois de 10 anos, se criou um instituto, Faculdades de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu com três cursos, medicina, veterinária e biologia.”
‘Impulsionou’ a faculdade
Botucatu tem hoje 128.700 habitantes segundo o Censo de 2010. É conhecida nacionalmente pelos trabalhos de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Rubião Júnior.
Em última estância, se o hospital de tuberculose não tivesse sido construído lá, na década de 20, não se sabe se existiria a faculdade, portanto o clima influenciou no desenvolvimento da cidade. “Se for estabelecido uma ligação entre os fatos, vamos chegar a isso. Porque se não tivesse acontecido esta estação de tratamento em Rubião Jr e o prédio tivesse ficado parado por 10 anos, não teria sido ele usado para fazer um instituto isolado,” segundo Figueiroa.
O principal desenvolvimento de Botucatu hoje, opina Figueiroa, está fincado na indústria. “A economia é bastante equilibrada. Temos um núcleo universitário forte, com faculdades particulares e públicas. Tem um núcleo industrial na área de transporte bastante consolidada que é a Embraer (aviões), Caio (ônibus urbanos) Irisa (ônibus intermunicipais). O setor metal mecânico é muito forte em função dessas três principais produtoras de veículos. E tem ainda setor madeireiro com a presença da Duratex e Eucatex.”