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Incêndio destrói fábrica no Distrito III

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

Um incêndio de grandes proporções destruiu uma fábrica de formas de pizza no Distrito Industrial III, na manhã deste sábado (20), em Bauru. A suspeita é de que o fogo tenha começado quando uma estrutura metálica, que era colocada em um galpão ao lado da empresa, se soltou de uma corda e atingiu um fio de alta tensão, provocando uma explosão e o incêndio no local.

As labaredas que consumiam a fábrica atingiram mais de 10 metros de altura e a fumaça podia ser vista até mesmo da zona sul da cidade. O fogo demorou mais de duas horas para ser contido pelo Corpo de Bombeiros e uma unidade permaneceria no local para o rescaldo durante toda a tarde (leia mais abaixo).

No momento da ocorrência, a empresa situada na rua Três estava fechada, mas em seu galpão, que possui cerca de 800 metros quadrados, estariam quatro operários de uma empresa terceirizada que trabalhavam na construção de uma extensão da fábrica.

Desses, dois se feriram e um deles, o ajudante geral Niceas Vasquez Carrion Neto, de Tupã, está internado em estado grave no Hospital Estadual (HE). Até o início da noite de ontem, o paciente, que teve queimaduras de terceiro grau em 70% do corpo, ainda corria risco de morte.

As vítimas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas ao Pronto-Socorro Central (PSC). Conforme o JC apurou, Niceas Canion estaria segurando a estrutura metálica de cerca de 30 metros no momento da descarga elétrica, por isso teve queimaduras graves. Já o outro operário atingido foi o soldador Márcio Crispim Vanderlei, que teve queimaduras leves nos braços.

Veja vídeo:


 

Toda a frota

O fogo foi controlado às 12h40, mas o trabalho de rescaldo dos bombeiros perduraria por todo o dia.

Para conter o incêndio, que teve início por volta das 10h40, o Corpo de Bombeiros chegou a utilizar toda frota existente em Bauru, ou seja, cinco caminhões que comportam até 20 mil litros cada. Ao longo do trabalho, uma das carretas precisou ser abastecida por duas vezes em um hidrante particular de uma empresa vizinha, devido à falta do equipamento no bairro. Um caminhão-pipa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e empresas no entorno ainda davam auxílio no combate ao incêndio por volta das 16h30 de ontem.

“O local possui grande quantidade de material combustível, como papelões e papéis. Assim que apagarmos as chamas de dentro do prédio, faremos um rescaldo com o apoio de uma retroescavadeira da prefeitura em meio aos papelões, para que o fogo não volte a surgir”, explica o tenente do Corpo de Bombeiros, Claudio Augusto.

Segundo o tenente, a tragédia poderia ter sido ainda maior se o fogo tivesse afetado um tanque de diesel existente na lateral da empresa ou atingido a fábrica de materiais plásticos vizinha. Ainda de acordo com ele, no momento em que a equipe chegou, por volta das 11h, o fogo tomava todo o prédio e parte do telhado já havia cedido.

Empresários vizinhos reclamavam no local da demora no atendimento. “Os bombeiros chegaram aqui quase 50 minutos depois”, afirma o empresário Jurandir Posca.

Questionado, o tenente do Corpo de Bombeiros refutou a afirmação. “O pessoal que estava aqui acionou primeiro o Samu, a PM e só depois o Corpo de Bombeiros. Assim que recebemos a informação levamos cerca de 10 minutos para chegar. Não houve atraso”, alega.

Conforme avaliou o tenente, o incêndio abalou completamente a estrutura da fábrica, que ficou condenada. Por conta dos riscos de desmoronamento das paredes, o local permaneceria isolado. A Policia Científica foi acionada para realizar a perícia no local. Um laudo deverá indicar nos próximos dias as causas do incêndio. Segundo o JC apurou, a empresa não possuía seguro.


Bauru não tem hidrante, diz prefeito

O prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, explicou que não é só o Distrito Industrial III que não tem hidrante, mas a cidade inteira. “Nós temos uma rede de abastecimento de quatro polegadas que não comporta o hidrante. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) está fazendo os projetos dos hidrantes para várias regiões da cidade.”

Para a instalação, segundo ele, vai ser necessária a troca da rede inteira ou de parte dela. “É um investimento alto. Eu acredito que essa situação está chegando ao fim, porque o DAE já tem os hidrantes para colocar. Porém, a troca da rede não é trabalho simples, tem quilômetros de rede para serem trocados, tem que abrir asfalto.”

Na opinião dele, a falta do hidrante foi um erro cometido no passado. “O Distrito III foi inaugurado na década de 90 e não fizeram essa previsão. Isso é sinônimo de falta de planejamento”, conclui.


Testemunha relata como foi o caso

Em conversa com a reportagem, o operador do guindaste que atuava na obra, Marcos Vinícius da Silva, 25 anos, contou que a tragédia aconteceu no momento em que os operários levantavam a estrutura e uma corda teria se soltado. “A corda se soltou e a alta tensão atraiu a estrutura metálica ao fio. Quando vimos, o rapaz já tinha sido jogado longe e o fogo começou”, relata o operário. No momento do desespero, ele chegou a utilizar um extintor do caminhão para tentar evitar o incêndio e ajudou a socorrer os colegas feridos.

Funcionária de uma empresa de lustres vizinha à fábrica, Rosimeire Redondo, 40 anos, conta ter ouvido os barulhos e visto um clarão no momento da explosão. “Ficou tudo azul. Foi uma correria, levamos um susto, pensamos que fosse atingir a empresa. Quando olhei pela janela, vi um dos moços com a mão na cabeça”, conta.

No momento em que os bombeiros atuavam para conter o incêndio na fábrica, outra empresa de telecomunicações, próxima ao local, teve parte do mato queimada. Segundo a policial militar coordenadora da operação, tenente Letícia Marestone, os resquícios de cinzas do incêndio na quadra vizinha seriam o motivo provável do foco.


CPFL desliga circuito da rede elétrica

A Polícia Militar isolou as quadras próximas à empresa, além da rua Três, por conta da intensidade do calor provocado pelas chamas e do risco de explosões ou desmoronamentos das paredes da fábrica,

Agentes da CPFL estiveram no local para avaliar os estragos e desligaram o circuito da rede elétrica atingida. Segundo o engenheiro de linhas de transmissão da companhia, André Fernandes, o fio atingido possui uma intensidade de 138 mil volts e estava situado em uma torre de cerca de 27 metros e a uma altura mínima de 7 metros do solo.

“A fiação não puxa nada, provavelmente a estrutura tocou o cabo”, defende o engenheiro da CPFL, explicando que as manobras da obra deveriam ocorrer, por segurança, a 15 metros de distância da linha de transmissão. A CPFL foi acionada às 10h48.

A rede de transmissão em questão abastece cidades como Lençóis Paulista, Garça, parte de Bauru e Marília. Apesar do desligamento, segundo os técnicos, não houve interrupções nas cidades por conta de um desvio de circuito feito pela companhia no momento do ocorrido.

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