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Mão de obra é ?vilã? no preço final

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

O produto em si não é o ator principal na busca por conforto. Disputada como nunca, a mão de obra se torna mais valorizada do que o próprio bem adquirido ou serviço prestado. Instalações, manutenção ou facilidades proporcionadas diretamente ao domicílio da clientela agregam ainda mais valor ao trabalho de quem se qualifica.

Com a demanda crescente, esses profissionais diferenciam o atendimento e aliam o fato de proporcionar comodidade aos clientes, que se tornam cativos, e também aprimoram as habilidades por meio de programas de aperfeiçoamento. Por tudo isso, têm o “passe” disputado.

Desde uma peça de reposição orçada em R$ 3,00 para uma lavadora, mas com implantação da mesma, incluída a visita do técnico, na casa dos três dígitos, ou instalação de uma cortina próximo ao do produto fechado na loja ou um jantar no aconchego do lar, mas com cor e sabor de restaurante.

A melhor condição econômica do brasileiro, em linhas gerais, observa o economista Wagner Ismanhoto, contribui para a maior demanda e consequente elevação no preço da prestação de serviço.

Para ele, a maior demanda, aliada à escassez de mão de obra qualificada, eleva - e muito - o preço dos serviços.

A alta nos preços das prestações de serviço, observa, não é “privilégio” de Bauru. “É no Brasil todo. Os valores sempre são altos onde existe mão de obra menor que a demanda. O País nunca se preocupou com qualificação. Agora, com o crescimento da economia, enfrenta escassez”, relaciona.

Essa desproporcionalidade entre produto e mão de obra, enfatiza o economista, é reforçada pela falta de um indexador de preços para a prestação de serviço.

“Não há um referencial”, salienta. “Isso, somado à falta de pessoal com qualificação, faz com que profissionais preparados sejam mais disputados. É a lei da oferta e procura. Os preços estão malucos”, considera.

A supervalorização, entretanto, tende a cair ou, ao menos, estagnar, confia. A desaceleração econômica prevista para os próximos três meses deve acalmar, ao menos um pouco, a procura. “A classe média cada vez mais busca conforto. No entanto, a partir de agora, com mercado mais abastecido, naturalmente, teremos queda na demanda. Desta forma, os profissionais não conseguirão manter o nível de preço elevado”, prevê.


Índice do bom senso

A alta variação no segmento de serviços prestados em domicilio dificulta a indexação de preços. Por isso, a satisfação máxima do cliente, além do bom senso na hora de tarifar uma visita, são itens que devem ser levados em conta. É o que observa o consultor de produção da agência do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Vitor Hiroto Yamashita.

Como no Brasil os serviços são taxados por hora, observa o consultor, uma das maiores preocupações do prestador deve ser otimizar o trabalho, oferecendo o máximo para o cliente. Deixar o contratante satisfeito seria tão ou mais importante do que oferecer um preço atrativo. “O valor depende muito da eficiência e produtividade”, salienta.

A grande variedade nos serviços, lembra Yamashita, dificulta o estabelecimento de uma tabela de indexação. “É tudo muito amplo e depende muito da remuneração referente ao tipo de trabalho do empreendedor. Mas a regra vale para todos os ramos, quanto mais eficiente for a realização do serviço, melhor o preço para quem o presta”, reforça.

Para o empreendedor equilibrar preço justo, sem judiar da clientela e garantir lucros, vale também estar o máximo afastado possível de encargos.

No caso de pequenos prestadores de serviços, lembra o consultor, vale o cadastro no programa Microempreendedor Individual (MEI), incentivado pelo Sebrae.

No caso, prestadores de serviço com renda mensal inferior a R$ 5 mil desembolsam R$ 43, no período, para recolhimento do INSS. “Rendas superiores já são caracterizadas empresas formais”, diferencia.

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