Fotos: Douglas Reis |
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Atrás do Vitória, um buraco profundo que se abriu no asfalto |
Erosões, buracos profundos, acúmulo de água, raízes de árvores e encanamentos expostos. Nas imediações do Parque Vitória Régia, os canteiros da avenida Nações Unidas escondem verdadeiras armadilhas para quem transita a pé pelo local.
Em pouco mais de meia hora, a reportagem do JC pôde constatar, ontem, mais de uma dezena de problemas nas áreas gramadas da via, no trecho compreendido entre a Praça da Paz e o viaduto da avenida Duque de Caxias. Para os pedestres, a perspectiva não é nada animadora: os riscos, de acordo com especialistas consultados pelo JC e a própria Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), estão longe de serem contornados de maneira definitiva.
Isso porque a cidade foi construída sobre solo arenoso, pouco resistente à ação das chuvas. E, na avenida Nações Unidas, as enxurradas correm em abundância durante todo o verão. Uma triste tradição da cidade que só poderia ser extinta com a substituição de galerias para aumentar a capacidade de vazão do sistema que recebe a água da cidade em direção ao Córrego das Flores, rio canalizado sob a avenida.
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Pedestres desatentos estão sujeitos a acidentes |
Enquanto o investimento não é feito, o pedestre precisa estar atento ao atravessar a avenida ou caminhar pelos canteiros das pistas central e marginais, porque as armadilhas são muitas. Apenas no trecho analisado pela reportagem, foi possível verificar buracos profundos deixados após a retirada de postes, erosões com represamento de água e lixo, encanamento à mostra e raízes expostas de árvores que podem cair a qualquer momento, além de barrancos totalmente desprotegidos e com alto potencial de provocar acidentes a quem tentar atravessá-los.
Há ainda alguns pontos onde o calçamento e as guias foram danificados com a força das águas. Atrás do parque, na rua José Ferreira Marques, um outro problema. O asfalto cedeu e, até a tarde de ontem, o buraco profundo que se abriu rente à sarjeta era sinalizado apenas por um cavalete.
Solo arenoso
De acordo com a Semma, os canteiros danificados serão recuperados em breve em toda extensão da Nações Unidas, mas o serviço, certamente, terá de ser refeito assim que voltar a chover na cidade. Conforme explica o engenheiro agrônomo Wanderley José de Melo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, o solo arenoso de Bauru é mais vulnerável porque é pobre em matéria orgânica.
“É diferente do solo de Ribeirão Preto, por exemplo. Com mais matéria orgânica ou minerais de argila, a estrutura do solo fica mais ‘compactada’ e resistente”, pondera. Além de não contar com sistema de galerias adequado, a inclinação da avenida, em declive, acaba aumentando a velocidade das águas.
“Se o solo não estiver coberto com grama, ele será facilmente desmanchado e arrastado pela chuva, causando as chamadas voçorocas. O ideal seria cobrir essas áreas com gramado, que permite a infiltração da água, reduzindo, assim, sua velocidade”, explica.
Mas, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves da Silva, todas as iniciativas neste sentido são infrutíferas no longo prazo. “A quantidade de água que chega à Nações Unidas leva todo esse material (grama) embora”, lamenta.
Experiência
O titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Gonçalves da Silva, revela que, no ano passado, a pasta realizou uma experiência em uma área de cerca 80 metros quadrados, no canteiro central da avenida Nações, nas imediações do Parque Vitória Régia. Em vez de apenas cobrir o local, a grama foi fixada com redes de pesca doadas pelos próprios funcionários.
“A iniciativa deu bastante certo, mas seria inviável financeiramente fazer a mesma coisa em toda a extensão da avenida, com material apropriado. Chegamos a estudar a possibilidade de elevar o nível dos canteiros, mas a Secretaria de Obras apontou que seria um projeto com alguns riscos para o trânsito”, ressalta.
Solução de alto custo
Em 2010, o custo estimado para extinguir as enchentes ao longo da bacia do córrego das Flores, na avenida Nações Unidas, era de ao menos R$ 25 milhões, conforme reportagem publicada pelo JC. As obras, que dependem de parcerias com os governos federal e estadual, demorariam aproximadamente cinco anos para serem concluídas.
No orçamento, estaria incluída a transformação do Parque Vitória Régia em uma bacia de contenção e a interceptação das águas de alguns bairros para desembocar diretamente no Rio Bauru. Também contemplaria o aumento da capacidade de vazão do sistema que recebe a água da cidade em direção ao Córrego das Flores, rio canalizado sob a avenida.
O diâmetro da rede que segue do Córrego das Flores até o Rio Bauru varia ao longo de cada trecho, que totaliza cerca de cinco quilômetros. De acordo com estudos, em alguns pontos, a rede suporta apenas um terço da vazão recebida.

