Política

Retomada a vigilância nas UPAs

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr.

Segurança voltou às Unidades de Pronto-Atendimento, como no Jardim Bela Vista

O retorno do serviço de vigilância no Pronto-Socorro Central (PSC) e nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA), ontem de manhã, vai ajudar a viabilizar a entrega da Unidade do Geisel/Redentor, que já está praticamente pronta, mas ainda não foi aparelhada.

E justamente a falta de profissionais de segurança nas unidades atrapalharia a instalação dos equipamentos na nova UPA, a última a se entregue. Entre 2011 e 2012, unidades do mesmo tipo já haviam sido instaladas no Mary Dota, Bela Vista e Ipiranga. O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) e o Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI) também passam a ter serviço de vigilância.

Desde julho de 2012, quando terminou o contrato com a empresa Portal Segurança e Vigilância LTDA, de Botucatu, as unidades ficaram sem vigilantes, serviço que foi retomado ontem. Agora, a empresa responsável é a Proseg Vigilância Ltda., de Lins. O contrato é válido por 1 ano e o custo total aos cofres municipais será de R$ 2.203.156,57, durante todo o período. Os vigias usarão apenas armas não-letais (cacetetes tonfa).

De acordo com Luiz Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto-Atendimento da Secretaria Municipal de Saúde, a retomada da vigilância nas UPAs era necessária para que a unidade do Geisel/Redentor pudesse receber os equipamentos necessários antes de ser inaugurada. “Hoje (ontem), já começou a ter vigilantes no Pronto-Socorro Central e nas três UPAs existentes. O contrato também já prevê a quarta UPA, no Redentor. Ainda não tem ninguém trabalhando lá, mas já está contratada e dentro de 15 dias, quando começarmos a colocar os equipamentos lá, eles começam a trabalhar também”, destacou.

Sabbag reforça que resta apenas a instalação dos materiais antes da inauguração, que deve ocorrer em, no máximo 40 dias, segundo o diretor. O secretário de saúde, Fernando Monti (PR), também trabalha com um prazo acima dos 30 dias. Ou seja, a UPA do Geisel/Redentor será entregue entre o final de fevereiro e o começo de março, se não ocorrer nenhum imprevisto.

“Não começamos a equipar aquela UPA justamente pela falta de segurança. O prédio já está pronto e agora, com a segurança retornando, teremos condições de equipar o local. Só falta isso para colocar em funcionamento”, reiterou. Hoje, o Diário Oficial do Município deve trazer a convocação dos funcionários que vão trabalhar na UPA do Geisel/Redentor. A partir daí, segundo Monti, eles serão treinados e começam a trabalhar.


Problema recorrente

A falta de segurança nas Unidades de Pronto-Atendimento do município gerou diversas situações incômodas ao longo desses sete meses sem o serviço. Como o JC noticiou neste período, vários furtos foram cometidos contra as UPAs, como os ocorridos em novembro na unidade do Ipiranga, poucas horas depois de ter começado a funcionar (5 de novembro) e na Bela Vista, na madrugada do dia 15 do mesmo mês.

Outras situações foram registradas antes, como no dia 22 de julho. Na ocasião, uma funcionária do PSC precisou se esconder nos fundos da unidade para não ser esfaqueada por um homem alterado. Dias antes, um cadeirante destruiu instalações da USF do Parque Santa Edwirges (o local não faz parte do contrato dos seguranças, a exemplo das Unidades Básicas de Saúde).

Ainda com o serviço de segurança em funcionamento, no dia 4 de junho, um homem de 55 anos arremessou um capacete, danificando uma porta da UPA Bela Vista. Cinco dias depois, um homem de 28 anos atacou a unidade infantil do PSC depois de esperar por quatro horas para que seu filho fosse atendido.


Segurança para as pessoas

Fernando Monti pontuou que o principal aspecto da segurança é para os usuários e funcionários. “O intuito de ter segurança é preservar as próprias pessoas que frequentam as UPAs e os funcionários. A questão material dos furtos também é importante, mas não tivemos tantos problemas com isso”, minimizou.

“Instalaríamos os materiais maiores de qualquer forma no Geisel/Redentor, mas os menores a gente sempre deixa para colocar mais perto da data de inauguração, é isso que vamos fazer agora. Tendo segurança, melhor”, salientou.


Secretário garante pleno funcionamento das UPAs

O secretário de Saúde Fernando Monti garantiu que as três UPAs em funcionamento na cidade estão atendendo bem bem. Enquanto as unidades do Bela Vista, Ipiranga e Geisel/Redentor tiveram recursos federais em suas construções, a do Mary Dota foi feita só com verba do município.

As três primeiras foram habilitadas para receber verbas do governo federal, enquanto a do Mary Dota é tocada com recursos da prefeitura. “Houve um boato de que a unidade do Mary Dota seria descredenciada. Quem falou isso está por fora, até porque aquela UPA não recebe verbas federais, é tudo tocado pelo município, e no que depender da gente, está tudo em ordem. Aliás, aquela UPA funciona muito bem”, ressaltou Monti. “Não existe credenciamento, existe habilitação de UPA para que venham verbas federais para a unidade”, pontuou.

“Quem está falando isso (que a UPA poderia fechar) está falando na maldade, é coisa de quem quer ver a saúde não avançando em Bauru. Aliás, é o contrário, temos conversado com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para que a UPA do Mary Dota também passe a receber recursos de Brasília. Mas do jeito que está hoje, ela já atende bem. Usuários e funcionários podem ficar tranquilos.”

Monti disse que Bauru só recebe verbas do governo federal para três unidades porque, segundo o Ministério da Saúde, a cidade só comportaria três UPAs. “Mas pela própria geografia da cidade, houve o entendimento que precisaríamos de quatro. Por isso a do Mary Dota foi feita pelo próprio município, mas é uma UPA como todas as outras, funcionado bem.”


Saúde básica será o foco

Durante a inauguração da quarta Unidade de Saúde da Família (USF), no Núcleo IX de Julho, ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho afirmou que a partir de agora a saúde básica será priorizada. “Quando assumimos, em 2009, Bauru começou a viver uma grave crise hospitalar, algo sem precedentes na cidade. Isso fez com que a gente invertesse a ordem de prioridade, o Hospital de Base passou a atender abaixo da capacidade, gerando uma demanda grande no Pronto-Socorro Central. Por isso, passamos as UPAs na frente das unidades básicas, mas agora a atenção total será no atendimento básico”, garantiu. “Depois da inauguração das UPAs, o número de atendimento diário no PSC caiu de 1200, em média, para cerca de 300”, disse Rodrigo.

Neste ano, a Secretaria de Saúde trabalha com o objetivo de abrir 12 novas USF. Jardim Mendonça/Chapadão, Pousada da Esperança II, Vila Dutra, Jardim Jussara e Bela Vista serão os próximos bairros a receber as unidades. Os primeiros estão em um estágio mais evoluído, enquanto o PSF do Jardim Jussara deverá ser entregue depois. Já na Bela Vista, o prédio do antigo Pronto-Socorro do bairro (ao lado da atual UPA) começou a ser reformado, e além da USF, vai abrigar uma Unidade de Apoio Farmacêutico.

No começo da primeira gestão, o governo de Rodrigo Agostinho trabalhava com a ideia de entregar mais de 25 USF. De acordo com o prefeito, a previsão é possível de ser cumprida até 2016, quando se encerra o atual mandato. “Tivemos algumas dificuldades em desapropriações, contratação de pessoal, problemas com empresas que iam trabalhar em construções”, ponderou Rodrigo sobre a demora para a entrega de algumas unidades. A do IX de Julho, por exemplo, levou dois anos para ser concluída desde sua concepção.

 

USF do 9 de Julho

Atualmente, o Programa de Saúde da Família é desenvolvido através de convênio com a Sorri. A expectativa é que a Fundação Regional de Saúde seja criada ainda em 2013 - projeto que depende de aprovação na Câmara Municipal - para que esta possa assumir a gestão do programa.

De acordo com a coordenação do serviço, esta unidade tem como principal objetivo descentralizar o atendimento realizado na USF do Parque Santa Edwirges. O atendimento da nova unidade deverá abranger cerca de 8 mil usuários das regiões do 9 de Julho e Fortunato Rocha Lima, anteriormente atendidas no Santa Edwirges.

A Unidade atende de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h, na rua Ernesto Gomes da Silva, 2-136, com duas equipes, cada uma delas formada por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem e  agentes comunitários de saúde, além da equipe de apoio formada por assistente social/gerente, auxiliares administrativos e servente de limpeza.

O prédio da USF 9 de Julho conta com uma área total e construída de 250 m2, entre salas de recepção, dispensário de medicamentos, consultórios médicos e odontológicos, salas de procedimentos de curativos, vacinação, serviço social, inalação, triagem e outros. O custo total foi de R$ 248.339,35.

Logo em seguida, o prefeito e o secretário Fernando Monti entregaram 18 viaturas na Regional do Parque São Geraldo, para uso geral da Secretaria. Entre os veículos, estão duas motolâncias e um reboque para apreensão de animais de grande porte, cujo investimento total foi de R$ 882.839,98 através de recursos próprios e do Fundo Nacional de Saúde.

 

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