São Bernardo do Campo - O usuário de crack de 62 anos que foi dopado pela filha para ser levado ao Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), no centro de São Paulo, foi transferido na tarde de ontem para um hospital de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), onde passará por tratamento.
A decisão do plantão judicial, responsável por avaliar os casos de internação compulsória de dependentes químicos, veio mais de 24 horas depois de sua chegada ao centro - às 12h de ontem. “Quando chegamos lá (Cratod), a comissão já estava terminando, então o caso dele só foi avaliado hoje (ontem)”, contou a filha.
O dependente passou 26 horas do centro sob efeito de sedativos e usou adesivos para não fumar até ser levado por uma ambulância ao Hospital Lacan, em São Bernardo do Campo. “Ele está sabendo que tive que enganá-lo para interná-lo. Sabe que é a única forma, que por vontade própria ele não conseguiria por causa do vício”, disse.
Segundo a filha, o homem já admitiu aos médicos e enfermeiros do hospital que quer ser ajudado. Agora, pai e filha só poderão se encontrar uma vez por semana até a alta médica.
Usuário de crack há dez anos, ele já foi internado voluntariamente duas vezes, mas quis sair. A filha afirma que o homem consegue já conseguiu ficar alguns períodos sem a droga, mas conflitos e problemas emocionais trazem recaídas. “Nos últimos quatro anos o consumo de droga ficou sem controle”, conta.
Sem previsão para terminar o tratamento, a filha diz acreditar que dessa vez será definitivo. “Estou me sentindo muito bem, porque o hospital e tratamento são sérios e vai ser muito bom para ele. Depois disso, vai depender só dele”.