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Uma luz no fim do túnel

Fabio Paride Pallotta
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru ganhou um presente de Natal fantástico e uma passagem de ano como há muito tempo não acontecia. Não foi apenas a renovação da Câmara dos Vereadores, foi a ocupação das oficinas da NOB como anunciado pelo Jornal da Cidade com requintes de modernidade pela adesão ao projeto de ocupação da empresa Transfesa S/A. Segundo o engenheiro Luiz Antônio Sola, a nossa cidade tem um potencial para desenvolver em tecnologia ferroviária representado pelas centenas de especialistas na área aposentados e esperando uma oportunidade para demonstrar sua capacidade. Ele e seu grupo começarão contratando pelo menos 50 pessoas de imediato.

Nos dias que correm, uma cidade para se desenvolver deve proporcionar condições ao desenvolvimento de tecnologia e aprimoramento de mão de obra. Bauru está se tornando um grande centro de Tecnologia da Informação e um centro de alta tecnologia em Odontologia devido à presença da Odonto USP Bauru e do Centrinho (Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo), que além da parte odontológica desenvolve pesquisas de ponta no setor de genética e cirurgia plástica. Faltava para a cidade uma oportunidade de aproveitar o seu Patrimônio Histórico Arquitetônico Ferroviário, abandonado e se deteriorando e as pessoas ligadas a essa tecnologia de transporte tão relegada, mas tão necessária para superar o gargalo nos transportes que temos no Brasil.

As oficinas da Noroeste existem desde 1906, mas o imponente conjunto arquitetônico industrial ferroviário que agora vai ser ocupado, utilizado e restaurado foi construído em 1921 pelo então presidente Epitácio Pessoa e possibilitou que Bauru tomasse a frente na tecnologia ferroviária prestando serviços para as ferrovias brasileiras à época, desenvolvendo tecnologia nacional para questões ferroviárias de peso, montando vagões, carros de passageiros e locomotivas com mão de obra local de grande capacidade técnica. Temos hoje na cidade vagões de passageiros de madeira ricamente lavrados feitos nas oficinas que agora recuperarão a sua importância histórica, paisagística, urbanística, arquitetônica e, em especial, humana. O professor da Unesp e grande estudioso da questão ferroviária na nossa cidade Nilson Ghirardello, em seus estudos mostrou que em importância e escala as oficinas da Noroeste só foram suplantadas em dimensão e importância na década de 1960 com a instalação da Indústria Automobilística no ABC Paulista.

Líderes ferroviários como o sindicalista Roque Ferreira e o político e professor Isaias Daibem desde sempre alertavam sobre a importância desse espaço urbano até agora abandonado a própria sorte pela privatização mal conduzida. A recuperação das oficina pelo seu vulto só pode ser feita com a intervenção do poder público, mas este não pode abrir mão de chamar a responsabilidade a atual concessionária que concordou em ceder as oficinas, mas a troco de quê? Passar todo o prejuízo causado ao Patrimônio Histórico ao Poder Público Municipal? Para que esse "presente" de Natal e fim de ano não se transforme em um presente de grego é necessário que o Legislativo se informe sobre o nosso patrimônio ferroviário e que a Transfesa S/A ocupando as Oficinas levem Bauru outra vez aos bons caminhos da tecnologia, produção, empregos, pesquisa e ressurgimento do orgulho de fazer parte de um importante componente do transporte nacional: a ferrovia. Parabéns ao prefeito municipal e aos empreendedores da Transfesa S/A.

O autor, Fabio Paride Pallotta, é professor de história e colaborador de Opinião

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