Internacional

Cameron promete referendo sobre UE

Folhapress
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Londres - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu ontem um referendo para definir a permanência do Reino Unido na União Europeia se for reeleito após o próximo pleito parlamentar, em 2015. Caso isso aconteça, a consulta deverá ser convocada até 2017.

O compromisso do chefe de governo britânico é feito em meio ao aumento da insatisfação dos britânicos com o bloco europeu, em especial por causa de suas regras para a cooperação econômica. Londres pede maior autonomia para gerir as economias, enquanto o bloco advoga por mais controle central.

Em evento sobre a relação do Reino Unido com a Europa, Cameron disse que pedirá a negociação de um novo acordo com a Europa, que manteria a cooperação econômica, mas também diminuiria a cooperação política e daria mais poder aos Parlamentos nacionais.

“Essa é a hora de os britânicos dizerem sua opinião e deixar clara essa questão na política britânica. E quando chegue o momento de escolher, vocês terão que tomar uma decisão importante sobre o destino de nosso país”, disse.

Apesar da convocação do referendo, o primeiro-ministro defendeu a permanência dos britânicos na União Europeia e o papel ativo na organização, mas pediu que os 27 integrantes do bloco aprovem medidas que aumentem a competitividade no mercado internacional.

Cameron também apresentou uma proposta a ser negociada com os sócios da União Europeia para aumentar a autonomia dos Estados, em especial em questões políticas, e consolidar o mercado comum. Ele não deu detalhes sobre o plano, mas disse que, se não aprovado, isso significaria uma saída definitiva da UE.

O chefe de governo ainda defendeu que a tentativa de equiparar o nível dos países é um erro. “Não nos enganemos pela falácia que um mercado profundo requer que todos estejam harmonizados. Os países são diferentes e fazem escolhas diferentes. Não podemos harmonizar tudo”.


Preocupação

A proposição para referendo sobre a saída da União Europeia era uma reivindicação de setores do Partido Conservador, o mesmo de Cameron, e de outras agremiações britânicas. Também contempla a insatisfação dos britânicos com o bloco, que aumentou após o início da crise financeira na zona do euro.

O movimento britânico gera, no entanto, preocupação da oposição e do mercado internacional, pois poderia criar incertezas sobre o futuro econômico da Europa e provocar a diminuição do investimento estrangeiro em meio à recuperação dos países.

A saída do Reino Unido é temida também pelos Estados Unidos. Em comunicado, a Casa Branca anunciou que o presidente Barack Obama conversou com David Cameron sobre o projeto e disse que valorizava a presença forte dos britânicos dentro da União Europeia.

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