Bairros

Dengue: o perigo aumenta

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução/Internet

Mosquito Aedes aegypti

O elevado número de pessoas infectadas pela dengue já começa a preocupar as autoridades de Bauru. Nos 23 primeiros dias do ano, a cidade já contabiliza 31 pessoas que contraíram a doença na cidade, duas a mais do que a quantidade registrada em todo o ano passado.

Segundo o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, a alta incidência pode sinalizar o início de uma epidemia de dengue, que vem afetando principalmente a zona sudoeste de Bauru, com ênfase nas regiões da Vila Independência, Jardim Ouro Verde e Vila Ipiranga. Após os primeiros 11 casos confirmados na última terça-feira, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio do DSC, informou ontem que mais 20 pessoas também foram contaminadas pelo vírus da doença, transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti.

Todos os casos são autóctones (contraídos dentro da própria cidade). Em 2012, foram 29 casos autóctones e outros seis importados, totalizando 35 registros. Em 2011, houve uma explosão de notificações, com seis mortes e 4.366 pessoas infectadas. A queda abrupta entre os dois períodos faz parte do ciclo da doença aliado à maior conscientização da população - e mais intensa fiscalização e vistorias.

Em 2013, contudo, a doença voltou com força, o que já levou o DSC a direcionar suas equipes de busca ativa para os bairros que apresentam maior índice de infestação. Na tarde de ontem o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde também realizou reunião com os chefes das unidades de pronto-atendimento para reforçar a necessidade de atenção aos sintomas dos pacientes que procurarem auxílio médico.


Alerta

São medidas que, se contarem com o apoio e conscientização da população, poderão preservar vidas e evitar o cenário experimentado em 2011. “O que a gente quer é que as pessoas cuidem do lugar onde moram. Nosso objetivo é orientá-las sobre como eliminar criadouros, além de vistoriar as casas para eliminar estes focos e fazer bloqueios com inseticida”, destaca Heloísa Lombardi, diretora do DSC (leia mais na página 22).

Ao todo, são cerca de 100 agentes que realizam este trabalho, que foi intensificado, nos últimos dias, na região sudoeste de Bauru. Segundo Heloísa, moradores podem ser autuados, caso não eliminarem os criadouros da dengue após receber orientação. A multa varia de R$ 114,50 a R$ 4.350,95, e pode ser aplicada, inclusive, a proprietários de imóveis fechados e terrenos baldios.

Nas unidades de urgência e emergência, os profissionais também trabalham em alerta, especialmente na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga, responsável por diagnosticar a maioria dos casos neste ano, em Bauru. “Estamos orientando os médicos a ficarem atentos aos sintomas sugestivos da dengue. Nosso objetivo é evitar que os casos aumentem em outras regiões e que a cidade viva uma nova epidemia da doença”, ressalta o diretor do DUE da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.


Criadouro até na geladeira

De acordo com Heloísa Lombardi, diretora do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, os principais criadouros do mosquito da dengue são latas, frascos plásticos, vasos de plantas aquáticas, pratos de vasos de plantas, bromélias, peças sanitárias depositadas em local descoberto e lonas de caixas d’água e piscina, onde a água se acumula. Mas até mesmo gavetas de geladeira que armazenam água de degelo também podem conter larvas do Aedes aegypti. “É um local para o qual as pessoas não se atentam muito. Mas já encontramos larvas nestas gavetas, que também existem em aparelhos de ar condicionado”, comenta.


Sintomas

Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, pessoas que apresentem ao menos três sintomas sugestivos da dengue devem ser submetidas a exame de sangue para diagnóstico da doença. Em sua forma clássica, a dengue é caracterizada por febre alta (39 a 40 graus), dor de cabeça, fraqueza, dores musculares, nas juntas e atrás dos olhos, vermelhidão no corpo e coceira.

Nas crianças, o sintoma inicial também é a febre alta acompanhada de apatia, sonolência, recusa da alimentação, vômitos e diarreia. A vermelhidão pode estar presente ou não.

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