Polícia

Motorista ajuda em assalto a caminhão

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr. 

A dupla foi presa em flagrante 

Na tarde de ontem, um caminhão de bebidas foi roubado por um homem armado de faca que, além de levar o veículo, fez dois funcionários da empresa reféns. Após a Polícia Militar (PM) prender o criminoso, veio a surpresa: o motorista do caminhão era comparsa no assalto. Os dois foram presos em flagrante.

O crime ocorreu por volta das 18h no Parque das Nações, nas proximidades do cemitério Jardim do Ypê. Vitor Augusto Marocho, 25 anos, motorista do caminhão de uma empresa de bebidas localizada no Jardim Pagani, conduzia o veículo juntamente com um ajudante, de 32 anos, quando foi abordado por Roberlúcio de Souza Chaves, 37 anos.

Armado com uma faca, o homem entrou no caminhão e rendeu os dois funcionários. Vitor Marocho foi “obrigado” a dirigir o caminhão, enquanto o ajudante foi amarrado com fios de cobre (leia mais abaixo).

O veículo voltava para a empresa após realizar várias entregas quando ocorreu o assalto. Nele, havia um cofre que guardava todo o dinheiro arrecadado no dia. Até o fechamento desta edição, a quantia não havia sido somada, porém, estima-se que girava em torno de R$ 10 mil.

O objetivo era levar o caminhão a um local ermo para arrombar o cofre, contudo, uma pessoa visualizou o momento da abordagem e acionou a PM.

Após várias buscas da Força Tática, com o apoio do helicóptero Águia, o veículo foi localizado na quadra 10 da rua São Sebastião, no Jardim Prudência.

“Inicialmente, eles não obedeceram à ordem de parada. Quando foram abordados, os três disseram que eram funcionários da empresa. O Roberlúcio, inclusive, já havia colocado a parte de cima do uniforme do ajudante”, explica o sargento da Força Tática, Edjalma Andrade.

Logo, a polícia descobriu que o ladrão armado de faca se tratava de Roberlúcio Chaves. Ele, de acordo com a PM, possui passagens por tráfico e roubo. A surpresa veio depois. Questionado, confessou que uma das supostas vítimas também havia participado da ação.


Infiltrado

Um dos “reféns”, na verdade, não tinha nada de vítima. Vitor Marocho, o motorista do caminhão, agia juntamente com Roberlúcio. Segundo os policiais que atenderam a ocorrência, ele confessou a participação no assalto frustrado, apesar de não ter passagem pela polícia.

A polícia suspeita de que foi exatamente o funcionário da empresa que, conforme o vocabulário da polícia, “deu a fita”. Ou seja, ele teria passado a rota do caminhão, a existência da grande quantia em dinheiro e ainda facilitou a abordagem do comparsa.

Com Roberlúcio, a PM localizou R$ 314,00 – sendo a maior parte da empresa -, celulares, um relógio e a faca usada no crime. Os dois foram presos e encaminhados ao Plantão da Polícia Civil, onde foram autuados em flagrante por roubo.

Até o fechamento desta edição, a PM procurava um terceiro suspeito de ter participado do assalto. Ele, inclusive, já foi identificado. Seria a pessoa que conduziu Roberlúcio Chaves até o local onde o veículo foi abordado e levado.


‘Só via essas coisas em São Paulo’, afirma refém

Imagine trabalhar o dia todo ao lado da pessoa que vai te assaltar ao fim do expediente? Foi isso que viveu ontem o funcionário foi feito refém. “Nunca imaginei que ele pudesse fazer isso”, revelou ao JC após ter sido libertado pelos policiais.

O homem, de 32 anos, que pediu para ter a identidade preservada, disse que era a segunda vez que saiu para trabalhar com Vitor Marocho.

Após a abordagem, a vítima foi amarrada com fios de cobre. “O assaltante dizia que não ia fazer nada comigo. Só pedi a ele que não me machucasse porque tenho uma filha pequena”.

Ele ficou o trajeto todo com o assaltante e também seu “colega de profissão” na cabine do veículo. Ao descobrir que o motorista era, na verdade, comparsa do roubo, veio a surpresa. “Ele conversou comigo tranquilo. Nem imaginei nada. Só via essas coisas em São Paulo”, concluiu.

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