Política

Conlutas vence eleição em sindicato

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

As divergências entre a Central Única dos Trabalhadores e a Conlutas ficaram evidentes na eleição do Sindicato dos Bancários de Bauru e região, finalizada ontem à noite, na sede da entidade, no Centro da cidade.

Na última gestão (triênio 2010/2012), o Conlutas teve o domínio da diretoria e o manteve agora. O Sindicato dos Bancários não conta com um presidente. São 30 diretores, que respondem pelos diversos segmentos do sindicato, eleitos de forma proporcional: a cada 3,33% dos votos, uma chapa elege um diretor. As duas correntes coexistem durante um mesmo mandato. No mandato cessante, o Conlutas já detinha o maior número de diretores, portanto, o controle da entidade. Eram 23 diretores do Conlutas e sete da CUT.

Indiretamente, o Conlutas tem o apoio do PSTU, enquanto a CUT possui ligação com o PT. A apuração da eleição terminou por volta das 22h. Para o triênio 2013/2015, serão 26 diretores do Conlutas e quatro da CUT. Ao todo, foram 1.190 votos válidos, sendo 1.034 para a chapa 1 (Conlutas), o equivalente a 87%, e 156 votos para a chapa 2 (CUT), um percentual de 13%, o que determinou a quantidade de diretores de cada vertente presente na eleição.

O representante da chapa 1, Marcos Tadeu Lenharo, disse que, no passado, já foi da CUT. “Já dirigimos o sindicato sendo da CUT, mas houve alguns problemas. Mas entendemos que eles já tinham uma participação muito grande com partidos políticos, e entendemos que isso não servia mais. Resolvemos sair e os cutistas, que à época resistiram em manter a sua filiação, ao longo das últimas três eleições vieram diminuindo sua participação no sindicato”, afirmou Lenharo. “Existe um descrédito com relação à CUT”, cutucou. “Em todas as atividades que realizamos nos últimos três anos, fomos muito respaldados pelo Conlutas”, pontuou.

Por outro lado, Miguel Teófilo Fardeloni, representante da chapa 2, disse que o Sindicato dos Bancários precisa desenvolver mais ações culturais e esportivas. “Sentimos esta demanda, a parte de lazer está muito a desejar, a área de saíde também precisa melhorar. Nossas propostas foram em cima disso”, explicou.

“Nosso dissídio é em setembro e se não houver ninguém da nossa chapa, infelizmente fica difícil, precisamos fazer a discussão em São Paulo. O pessoal da outra chapa fica só localmente”, comentou Fardeloni. “Infelizmente, aqui o bancário não tem voz, não tem representatividade. Não pode ser gerido como uma ditadura”, relatou.

A eleição contou com o reforço de seguranças terceirizados e uma viatura da Polícia Militar (PM), com quatro policiais, ficou em frente à sede do Sindicato durante a apuração da eleição. Segundo a diretoria da entidade, o objetivo era manter a ordem durante a realização da contagem de votos.


Sindtran terá eleições acirradas

Outra entidade que terá um pleito em breve é o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo (Sindtran). Ao contrário do Sindicato dos Bancários, o Sindtran conta com quatro chapas. A eleição está marcada para os dias 6 e 7 de fevereiro e as campanhas já estão em andamento.

O JC procurou o Sindtran para obter mais informações, mas a entidade não forneceu mais detalhes sobre o andamento do processo. As chapas 1 e 2 são ligadas à CUT – há uma divergência interna que resultou na divisão. A chapa 1 é encabeçada pelo atual presidente José Rodrigues, enquanto a chapa 2 tem Walter Dutra Pereira à frente.

Pela chapa 3 concorre Sebastião Valentin (que não é ligado a nenhuma das duas centrais), enquanto o Conlutas tem Reinaldo Cordeiro como candidato.

Já o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) está com a situação pendente. A CUT entrou na Justiça para anular a eleição realizada no ano passado e conseguiu. Consultada ontem pelo JC, a assessoria de imprensa do Sinserm informou que ainda não recebeu nenhuma notificação judicial.

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