Uma reunião entre funcionários da Creche-Berçário Antônio Pereira, na Vila Souto, em Bauru, na manhã de ontem, terminou com duas funcionárias socorridas na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga. As auxiliares de classe teriam passado mal durante uma discussão entre os funcionários, uma coordenadora e um diretor da nova gestão da unidade por conta do atraso nos salários referentes ao mês de dezembro. O conflito foi registrado em boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O sindicato da categoria pretende ajuizar ação por danos morais coletivos (veja mais abaixo).
A confusão, segundo as auxiliares de classe Meiry Helen Rocha, 27 anos, e Jessika Merino, 21 anos, teria se iniciado por volta das 8h20, no refeitório da entidade, em frente de 25 crianças que estavam tomando café da manhã.
Na ocasião, os funcionários se reuniram com a coordenadora Kariene da Silva, 36 anos, e com o diretor de patrimônio da nova diretoria, Wilson Losilla, para conversar sobre a situação da creche.
Nesse momento teria ocorrido um desentendimento entre as funcionárias presentes e a coordenadora da instituição, que teria sido alvo, minutos antes, do protesto de uma mãe que se queixava sobre a possibilidade de paralisação da creche. “Eu fiquei nervosa por conta da situação e, infelizmente, acabei desabafando com alguns funcionários”, confirma Kariene.
A confusão teria durado alguns minutos e terminou com as duas auxiliares de creche na UPA. Já as crianças foram levadas de volta à sala de aula.
Pressão
“É muita pressão, ninguém aguenta. Eles nos reuniram, mostraram a notificação e disseram que o pagamento ainda não havia saído, mas que não era para falarmos nada para o sindicato, porque senão a creche corria o risco de fechar”, conta a auxiliar de classe Meiry Helen Rocha, 27 anos, saindo da unidade de saúde da Vila Ipiranga junto à colega de trabalho, também auxiliar, Jessika Merino, 21 anos. “Foi uma confusão. As crianças se assustaram. Até ameaçada de ser mandada embora eu fui”, relata Meiry.
Atendidas com sintomas de pressão alta, as funcionárias, que deram entrada no local por volta das 9h, foram liberadas somente ao meio-dia, após passarem por atendimento médico e uma delas permanecer em observação.
Questionado sobre a discussão, Wilson Losilla confirma a situação. “Os funcionários estavam de cabeça quente. Pedi para que não discutissem, mas acabou acontecendo”, conta.
Caso solucionado
A assistente administrativo da creche, Thiary Fogaça, ligou ontem no final da tarde para o JC informando que a dívida da administração passada com a prefeitura foi quitada e que as atividades na entidade serão desenvolvidas normalmente hoje.
Segundo o JC apurou, a dívida da creche com a prefeitura era de R$ 10 mil e, com o pagamento efetuado, o município pôde liberar a verba referente aos salários de dezembro dos funcionários.