O PSDB busca um diálogo mais próximo com sindicatos e suas lideranças. Ontem à tarde, no escritório do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), em Bauru, diversas lideranças sindicais da região estiveram reunidas com o parlamentar. O também deputado estadual Antonio de Sousa Ramalho (PSDB) esteve presente. Ele é vice-presidente da Força Sindical e presidente do Núcleo Sindical do partido em todo o país. Tobias preside o partido no Estado.
Cerca de 200 sindicatos possuem ligação com o PSDB no Estado (sindicatos filiados). Na época da fundação da legenda, havia uma proximidade maior com estas entidades. “O PSDB, nos últimos anos, se afastou dos sindicatos, não foram eles que se afastaram da gente. Acho que teve dois motivos: na fundação do partido, ganhamos logo de cara duas eleições, em São Paulo e outros Estados, e também para presidente da República. Mas mesmo sendo governo, não pode se afastar dos sindicatos”, defendeu Pedro Tobias.
“Às vezes, quando você está no governo, você tende a achar que o sindicato é contra o governo, mas essa divergência é saudável. É importante ter sindicatos participando, e precisa ter oposição em qualquer lugar, inclusive dentro dos sindicatos”, citou. “Queremos trazê-los de volta ao PSDB”, salientou Tobias.
“Partido político não pode ser um segmento só. E nós perdemos este segmento (sindicatos). Mas antes, já houve uma inserção maior. Na época do (Mário) Covas, por exemplo, existia esse diálogo”, exemplificou. “O Covas atendia os sindicatos uma vez por mês. Ele fazia algo certo, pois se atende os empresários, deve atender também os trabalhadores. Um não existe sem o outro. E o homem público tem que ouvir os dois lados”, pontuou.
Estiveram na reunião de ontem Heloneida Oliveira (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias Paulistas), Rubens José Grandi (Sindicato dos Técnicos de Radiologia), Milton Cantador (Sindicato dos Eletricitários) e Wilson Therezan (Sindicato Nacional dos Aposentados).
Liderança sindical
O deputado estadual Antonio de Sousa Ramalho, mais conhecido na Capital paulista como Ramalho da Construção, assumiu uma vaga na Assembleia Legislativa no começo do ano, após a saída de alguns parlamentares que assumiram cargos nas prefeituras do Estado.
Ramalho é presidente do Núcleo Sindical do PSDB e vice-presidente da Força Sindical e terá um papel de destaque neste processo de reaproximação com os trabalhadores. Além disso, ele é presidente do Sindicato da Construção Civil da Grande São Paulo, que responde por 1/3 dos trabalhadores o segmento no Estado.
“Começou com um núcleo em São Paulo, depois em Minas Gerais, aí houve uma organização no Brasil todo, para ter uma representação em todos os estados”, disse Ramalho sobre o Núcleo Sindical.
“Tivemos 120 candidatos a vereador nas últimas eleições, 39 foram eleitos, e fizemos também um vice-prefeito, em Catalão/GO”, relatou. “Quando da fundação do PSDB, existiam muitos sindicatos próximos a nós. Depois foi desmotivando, e acabou. Dentro da própria Força Sindical existiam muitos tucanos, mas ficavam tímidos, até pela pressão que existia do PT”, disse.
Além do PSDB e do PT, o deputado citou o PDT como outro partido com boa entrada junto aos sindicatos. “O ex-presidente Lula tirou 30 milhões de pessoas da miséria para colocar na pobreza. Não teve evolução”, cutucou.
“O PSDB tem como origem a social-democracia europeia, e não dá para falar da social-democracia sem os trabalhadores, muitos sempre tiveram afinidade com o PSDB”, finalizou.
Partido quer rever estatuto
O próprio estatuto do PSDB deve ter alguns pontos revistos em breve. Neste ano, acontecem as convenções municipais (em março), e em maio haverá a convenção nacional. Alguns aspectos devem ser colocados em pauta.
Uma proposta, que dificilmente conseguirá chegar à prática, mas é defendida por Pedro Tobias, é que todos os filiados possam participar da escolha do candidato tucano à Presidência da República. “É difícil haver uma ‘Diretas 100%’, tecnicamente é complicado fazer isso, exige uma estrutura”, citou.
“Algumas coisas podem ser revistas. Na época em que foi feito o estatuto, por exemplo, nem se falava nas questões do meio ambiente. Tem algumas coisas que podemos fazer em São Paulo, outras acontecem em nível nacional”, salientou.
As discussões em âmbito estadual começam na semana que vem, e haverá uma convenção estadual no final de março. Em maio, será a vez da convenção nacional.
PSDB em Bauru
O partido atualmente conta com Marcelo Borges como presidente em Bauru. Ele já disse, em entrevistas recentes ao JC, que não deverá seguir no comando da legenda.
O PSDB perdeu um vereador em relação à legislatura passada. Enquanto no mandato de 2009 a 2012 haviam três parlamentares, agora são dois: Fernando Mantovani e Arildo Lima Jr. Para Tobias, essa redução aconteceu porque Marcelo Borges era um grande puxador de votos. “Se ele tivesse se candidatado, teria grandes chances de ganhar”, apontou. “Mas tivemos 12 mil votos para vereador, é pouco. Precisamos ter mais. O diagnóstico é que precisa melhorar”, disse.
A eleição municipal do PSDB está marcada, a princípio, para o dia 17 de março.