Como bem disse a vereadora e médica Telma Gobbi (PMDB) ontem pela manhã, saúde é uma questão nevrálgica, independentemente do gênero. O assunto, portanto, foi discutido no encontro realizado em Bauru neste sábado, que reuniu no Hotel Fenícia deputadas, prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras eleitas em outubro passado e que assumiram o mandato em 1 de janeiro deste ano.
A deputada estadual Ana Perugini (PT), por exemplo, levantou a bandeira da vacinação contra o vírus HPV na rede pública. Os HPV são vírus capazes de provocar lesões de pele ou mucosa. Contabilizam mais de 200 tipos diferentes e são classificados em de baixo e de alto risco de câncer.
“Essa vacinação já acontece em algumas cidades do Estado de São Paulo, mas por iniciativa do município. Não temos na rede pública estadual. Agora também foi apresentado projeto de lei em nível federal”, explica Perugini. De acordo com ela, qualquer mulher pode tomar a vacina, embora ela seja mais eficaz antes da iniciação sexual. Ela já está disponível na rede privada desde 2006.
“A vacina Quadrivalente contra HPV não é só para menina. Previne o câncer de ânus, de pênis”, acrescenta. A deputada estadual Vanessa Damo (PMDB) também abordou, em seu discurso, a saúde da mulher. Inclusive, contou às cerca de 60 mulheres presentes que decidiu entrar para a política após uma garota de 16 anos perder o seio por conta do diagnóstico tardio de um câncer.
Fotalecimento
A ideia é que as mulheres presentes no encontro organizado pela vereadora de Bauru Telma Gobbi juntem forças para pressionar por conquistas de interesse comum e mantenham o hábito da troca de informações. “Se essa semente for plantada, já vale ter participado do encontro”, comenta Vanessa.
Além dela e de Perugini, Sheyla Saori, assessora da deputada federal Aline Corrêa (PP), esteve presente, assim como mulheres que disputaram cargos eletivos ou primeiras-damas de 17 cidades da região. Elas voltam a se encontrar na primeira semana de junho, em Arealva, município eleito por sorteio. Quatro cidades se candidataram a dar sequência à troca de experiências.
Na oportunidade, uma técnica do Ministério da Saúde virá ao evento explicar os meios possíveis para que as cidades busquem recursos a fim de contemplar a saúde da mulher. Também na ocasião, a titular da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) de Bauru, Darlene Tendolo, explicará os caminhos sobre como executar projetos para requerer verbas à área social.
Para a vereadora Telma Gobbi, as questões sociais, de segurança e saúde são nevrálgicas e receberão a atenção e os encaminhamentos que exigem. Darlene esteve presente ao encontro, assim como o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Mulheres na política
O Brasil é a 8ª economia do mundo, mas ocupa o 106º lugar no ranking mundial de participação política feminina no parlamento. A atual bancada feminina da Câmara Federal é 8,77% do total da casa (45 mulheres em 513 cadeiras), segundo dados da deputada federal Aline Corrêa (PP) apresentados ontem. Em Bauru, apesar do ‘peso” feminino, apenas uma vereadora foi eleita. A contradição tem várias explicações, como o fator histórico.
“Isso vem desde a formação do núcleo familiar, do patriarcado. É um meio de homens”, comenta Sheyla Saori, assessora da deputada federal. De acordo com ela, em muitos casos, para ser ouvida e respeitada, a mulher eleita assume postura masculina, quando deveria levar para o meio suas características femininas. “Só assim conseguiríamos pautar a política pública para mulheres e fundamentá-la”, avalia.
No entanto, nem quando eleita a mulher se dedica exclusivamente à política. Ela divide a responsabilidade com as questões coletivas com a jornada de trabalho e família, ressalta a deputada estadual Vanessa Damo (PMDB). Além disso, a participação feminina na política é recente. A mulher só passou a votar e ser votada em 1934, pontua a deputada estadual do PT Ana Perugini. “Nós tivemos desde então legislações que foram possibilitando maior abertura. Culminando em 88 com todos os nossos direitos colocados de maneira abstrata como iguais. Até hoje é uma luta permanente para que haja consolidação dessa liberdade”, explica.
Consenso é que se faz necessário uma política pública para mulheres, que vá além das estabelecidas no combate à violência doméstica, como é o caso da Lei Maria da Penha, considerada uma grande conquista e avanço.