O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) quer utilizar o controle de indicadores de serviços por setor da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) para estabelecer controle e cobrança de metas e resultados em diferentes áreas do governo. Da quantidade e eficácia das visitas e autuações feitas pelos fiscais da Seplan e Saúde, ao número de canaletas instaladas por equipes da Obras, o prefeito quer ter dados para cobrar resultados.
As planilhas de indicadores de serviços realizados existentes na Emdurb ganharam a simpatia do prefeito. Prestadora de serviços exclusivos à Prefeitura de Bauru, por dispensa de licitação, a empresa municipal precisou adequar sua forma de contabilizar o faturamento e de comprovar o que realizou nas ruas, nos últimos anos. Ainda falta adequar preços à realidade de mercado em vários itens, tendo como principal distorção a utilização de comparativos distorcidos de serviços prestados em outras cidades.
Mas o aperfeiçoamento do controle de produção de serviços agradou o prefeito. “Eu avisei os secretários na primeira reunião, ainda na avaliação final do governo passado, nos últimos dias de dezembro, que não era para acomodar. A planilha de controle de serviços da Emdurb é uma boa ferramenta que quero adotar em secretarias que prestam serviços. Assim vai ser possível cobrar o que não foi feito e acompanhar resultados”, cita Agostinho.
Segundo o prefeito, hoje não há sistema de verificação e acompanhamento de serviços que permita discutir metas. “Temos as diretrizes, discutimos as prioridades, mas sem essa ferramenta fica muito difícil avaliar se um serviço foi bem ou não. Na Emdurb, até por ela ser prestadora de serviços e ter de comprovar o que fez para receber da Prefeitura, os indicadores passaram a ser condição para o trabalho”, complementa.
Números falam
As planilhas mostram crescimento vertiginoso de serviços e, por consequência, do faturamento, em algumas áreas na Emdurb. A área de limpeza foi a que mais cresceu, com destaque para a capinação. A capina com uso de herbicida, por exemplo, apesar da controvérsia de natureza ambiental no método, dobrou a equipe, com dois turnos, e o faturamento em 2012, saindo de R$ 500 mil para R$ 968 mil.
De outro lado, a capinação mecânica trabalhou menos, em razão da quebra de ferramental (faturou somente R$ 182 mil em 2012, contra R$ 321 mil em 2011). Mas o aumento global da receita aparece nos dados financeiros, com a empresa saltando de um caixa de algo próximo de R$ 20 milhões, no início do governo atual, para uma projeção de R$ 41,6 milhões neste ano.
O gerenciamento das atividades do trânsito é o que mais rendeu recursos para a Emdurb no ano anterior. Foram R$ 6,1 milhões, contra R$ 4,4 milhões em 2011. Aqui o diretor do Sistema Viário, Ewerton Mussi Hunzicker, aponta que as equipes de operação no trânsito (GOT) tiveram expansão de quase 150%. “Tínhamos 14 fiscais e agora estamos com 34, cobrindo também áreas que antes não eram alcançadas, como a região do Bauru Shopping. Instalamos a base do GOT e as demais despesas no setor estão relacionadas a itens como aluguel de radar, o pagamento pelo sistema Prodesp, entre outros”, aponta.
O custo para o município ficou mais barato para a sinalização do sistema viário (de R$ 28,00 para R$ 22,00). A compra de uma máquina de pintura ajudou a equalizar o custo. Mas o faturamento desse indicador não caiu. Motivo, a máquina gerou aumento no volume em metro quadrado de pintura realizada.
A implantação de lombadas mostra outra situação particular. Em 2011 o serviço não era faturado pela empresa municipal. Em 2012, foram 95 lombadas. Mas aqui vale citar que a Emdurb cobra mais de 100% acima do ano anterior pelo dispositivo. Era R$ 400,00 a unidade. Agora a Prefeitura paga R$ 815,00 por cada lombada. “O preço anterior estava fora do parâmetro de mercado e a licitação trouxe as ofertas com a adequação”, argumenta Roma.
“O número de pedidos de lombada é muito maior que o executado. Mas aqui vale dizer que o morador pede por imaginar sensação de maior segurança em razão do dispositivo. Mas o que determina se o pedido é atendido ou não é fator técnico, como medição de tráfego no ponto, relevo do lugar, etc”, cita Mussi.
Para o diretor administrativo e financeiro Amauri Roma, que assumiu o cargo recentemente, as planilhas permitem a verificação do cumprimento das metas e apontam como anda cada segmento. “A emissão de ordem de serviço para a comprovação do que foi realizado na rua também está sendo feita por sistema”, acrescenta.
Outra explicação de dados (leia quadros nesta página). A Emdurb optou por instalar muito menos tartarugas nas ruas, preferindo tachões. Resultado: 2.610 tartarugas instaladas em 2011, contra 149 no ano passado.