Internacional

Atos desafiam toque de recolher no Egito

Folhapress
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Cairo - Em mais um dia de violência e protestos no Egito, um homem foi morto no Cairo - o que elevou o total de mortes no país para pelo menos 51 nos últimos dias - e manifestantes desafiaram o toque de recolher imposto pelo governo do presidente islamita Mohamed Mursi em três cidades.

O Egito vive nova onda de violência desde sexta-feira, quando se completaram dois anos do início do levante que derrubou Mubarak.

A maior parte das mortes ocorreu em Port Said, a cerca de 200 km da Capital - onde, no sábado, civis e policiais entraram em conflito após decisão da Justiça que condenou 21 à morte pelo massacre de 74 pessoas num estádio de futebol em fevereiro de 2012.

Desde a 0h de ontem, Port Said, Ismailia e Suez estão sob toque de recolher das 21h às 6h. A medida do governo, porém, foi ignorada pelos manifestantes logo na primeira noite de sua vigência.

“Abaixo o estado de emergência!”, gritavam manifestantes em Ismailia. Delegacias foram atacadas em Port Said, e veículos policiais foram incendiados no Cairo.

À na tarde de ontem, a polícia já havia dispersado com gás lacrimogêneo manifestantes que atiravam pedras perto da praça Tahrir, no Cairo. Horas antes, também na capital, um homem de 46 anos - aparentemente, um transeunte não envolvido nos protestos - foi morto a bala; não ficou claro de onde havia partido o tiro.


Mais poderes

O Senado egípcio aprovou ontem uma lei que autoriza o presidente Mohamed Mursi a colocar o Exército nas ruas para, junto com a polícia, auxiliar na manutenção da ordem. As informações são da agência egípcia Mena.

A lei permite ao Exército apoiar os serviços policiais até o fim das eleições legislativas - ainda sem data prevista - e sempre que solicitado pelo Conselho de Defesa Nacional, presidido por Mursi. Segundo o presidente do Comitê de Assuntos Árabes da casa, Maguid al Helu, a medida foi motivada pela onda de violência desencadeada no país desde a última sexta.

O lei aprovada pelo Senado é parte de uma série de medidas anunciadas por Mursi após cinco dias de manifestações violentas contra seu governo nas principais cidades do país, que coincidiram com os dois anos do início da revolta que levou à queda do ditador Hosni Mubarak.


Sem diálogo

A proposta de Mursi por um “diálogo nacional” foi aceita apenas por simpatizantes. A principal coalizão oposicionista, a Frente de Salvação Nacional, rechaçou a oferta, em mais uma demonstração das divisões no país.

Representantes da Frente chamaram a oferta do presidente de “cosmética” e condicionaram a participação em negociações à formação de um governo de união nacional. Além disso, disseram que Mursi deveria assumir a responsabilidade pelas mortes nos protestos mais recentes.

Em entrevista coletiva, o líder oposicionista e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei prometeu mandar “uma mensagem ao povo e ao presidente sobre o que achamos que são elementos essenciais para o diálogo. Se ele concordar, estaremos prontos a dialogar”.

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