Quioshi Goto |
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Para renovação, prática de 'compra de laudos' é realidade |
A renovação de laudos de vistoria de segurança por engenheiros virou prática criminosa corriqueira e precisa ser combatida nas cidades. O alerto é feito pelo vice-presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag), Veríssimo Barbeiro.
Em entrevista na última sexta-feira, antes da tragédia de Santa Maria, o engenheiro repercutia, a pedido do JC, a necessidade da mobilização de integrantes da Assenag, do Sindicato dos Engenheiros, do poder público e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), após a sentença do juiz Ubirajara Maintinguer contra um profissional que emitia laudos falsos, sem que imóveis cumprissem as normas de segurança e incêndio.
“Muita gente se apega ao preço de um laudo na hora de renovar e aceita ‘o assina aqui por quinhentos reais’. Isso também acontece em outros tipos de documentos. É preciso que empresários e síndicos de prédios não caiam nesse golpe perigoso e criminoso. É um alerta importante que deve ser perseguido pelas entidades para se evitar uma tragédia”, argumentou Veríssimo.
Ontem, em razão da tragédia na boate em Santa Maria, o vice-presidente da Assenag lamentou que a advertência discutida no âmbito regional, a partir de Bauru, virasse debate nacional desta forma. “Na entrevista nós reforçamos a necessidade de mobilizar as entidades, como o Sindicato dos Engenheiros, a Acena, o Crea, o poder público, para avançar nessa questão. A prática do assina aqui por quinhentos reais é extremamente perigosa e criminosa e temos de combater. O que aconteceu lá (em Santa Maria) poderia ter acontecido aqui em Bauru”, reforçou, ontem à tarde.
Barbeiro salienta que um laudo de vistoria de segurança custa, a preço médio de mercado, entre R$ 2.500,00 e R$ 3.000,00. “Para o laudo inicial, de imóveis novos, a situação não é a mesma. Mas para a renovação de três em três anos a compra de laudos é realidade e muitos lugares.
É preciso alertar isso e valorizar os bons profissionais, que não se sujeitam a essa prática. Um acidente basta para gerar uma tragédia sem proporções e isso ancorado em uma única assinatura irresponsável”, ressalta o vice-presidente da Assenag-Bauru.
Perito dos Bombeiros aponta principais erros
O primeiro tenente do Corpo de Bombeiros em Bauru, Mário Augusto Damiati, também havia concedido entrevista para o JC na sexta-feira, em razão da mesma matéria sobre a existência de laudos falsos praticados em Bauru, sem obediência às normas.
“O principal erro está na ausência de manutenção de equipamentos e das boas condições da estrutura do imóvel para as renovações. Os problemas se repetem com a falta de hidrantes ou extintores, ou o não funcionamento deles, defeitos em alarme de incêndio, a falta de alguém habilitado para a Brigada de Incêndio e sinalização de rota de fugas deficiente ou em falta”, lista o profissional.
Damiati dá amplitude às exigências. “É muito comum nas vistorias de renovação de imóveis a bomba do hidrante estar vencida ou com defeito, não existir um morador por pavimento, no caso de prédios, e nem funcionários treinados para receber atestado de Brigada de Incêndio, e em geral muitos estabelecimentos não apresentam sinalização de fuga adequada”, reforça.
Nos prédios, alvos da renovação do laudo de vistoria de segurança sem a obediência das normas, a existência de passagem de linha de cabeamento selada (shafts) é corriqueira, assim como o não funcionamento regular de compartimento vertical, ou seja, da escada com porta de fogo (regulagem permanente do sistema abre e fecha da porta capaz de suportar o fogo por 90 minutos).
“É obrigatório nos edifícios com mais de 12 metros de altura o dispositivo por pavimento, o que permite que o fogo, no caso de incêndio, fique confinado em um andar ou compartimento. Da mesma forma é fundamental ter o morador e os funcionários treinados, a Brigada de Incêndio. Porque se os moradores ou o público do local precisar sair rapidamente é preciso gente que saiba das normas e como utilizar o sistema”, finaliza.
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