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Força-tarefa fiscaliza casas noturnas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: João Rosan

Autoridades pretendem fazer um levantamento sobre estabelecimentos irregulares

Um dia depois do incêndio que vitimou 231 pessoas em uma boate em Santa Maria (RS) (leia mais nas páginas 19 e 20), órgãos públicos de Bauru anunciaram uma força-tarefa para fechar o cerco contra estabelecimentos que funcionam de maneira irregular na cidade. A operação “pente-fino” focará, inicialmente, igrejas, casas noturnas e de espetáculos, onde há grande concentração de pessoas.

O objetivo será verificar se sistemas de segurança e de combate a incêndio estão disponibilizados de acordo com a norma. “Ainda não temos noção de quantas, mas acreditamos que muitas delas estejam com regularizações pendentes”, adianta Paulo Ferrari, novo titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Sepan).

Entre hoje e amanhã, Seplan, Corpo de Bombeiros, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e Vigilância Sanitária deverão efetuar um levantamento sobre os estabelecimentos existentes na cidade e quais estão com autorizações e vistorias vencidas. “Todos estes dados serão cruzados. O que a gente quer é preparar Bauru em termos de acompanhamento e fiscalização para que a cidade não passe por situação semelhante à de Santa Maria”, comenta Olavo Pelegrina, do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro Sul de Bauru, órgão responsável pela iniciativa.

Amanhã à tarde, com o estudo em mãos, todos voltarão a se reunir, agora com a presença do prefeito Rodrigo Agostinho, para definir as diretrizes da operação, além de esclarecer as competências de cada agente na ofensiva. “Ainda restaram algumas dúvidas jurídicas, como o grau de autonomia que a prefeitura tem para realizar fiscalizações e se podemos solicitar vistorias aos bombeiros, sem a intermediação do proprietário”, pontua Ferrari.

Atualmente, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para casas noturnas deve renovado anualmente, sempre a partir da solicitação do dono do estabelecimento. Deve ser expedido pela primeira vez, após inspeção dos bombeiros, para que o empreendimento obtenha o alvará e o habite-se, que é emitido de maneira informatizada por meio do Sistema Integrado de Licenciamento (SIL), instituído pelo governo do Estado.


Sem registro

'Já recebemos denúncia sobre funcionamento irregular de     casa noturna', afirma Rogério Gago

Assim como o secretário municipal de Planejamento, o major Rogério Gago, comandante interino do 12º Grupamento de Bombeiros, confirma que há casas em funcionamento que nem mesmo possuem registro na cidade. “Hoje (ontem), inclusive, recebemos a denúncia de que uma delas, em Pederneiras, está atuando clandestinamente. E já comunicamos os órgãos responsáveis”, pontua.

Quando se torna irregular perante o Corpo de Bombeiros, por exemplo, um estabelecimento também passa a atuar fora da lei diante da Seplan e dos demais institutos, como Cetesb e Vigilância Sanitária. Isso porque o SIL engloba as autorizações destes quatro órgãos e, assim que uma delas vence, o documento - que corresponde ao antigo alvará de funcionamento - automaticamente também deixa de valer.

A ideia é efetuar o cruzamento de dados e, a partir de uma atuação multidisciplinar, identificar e autuar, com maior eficiência e agilidade, as casas e igrejas que estejam desrespeitando a legislação. No longo prazo, Conseg e demais órgãos envolvidos ainda querem expandir este trabalho para outros locais, como bares e restaurantes.

“É claro que não se trata de um problema a ser resolvido da noite para o dia. Mas estamos deflagrando, hoje, um processo que deve provocar uma grande mudança no futuro”, analisa Pellegrino Bacci Neto, presidente do Conseg Centro Sul.


Bombeiro não é órgão fiscalizador

Conforme esclarece o tenente Mário Augusto Damiati, do Corpo de Bombeiros de Bauru, a legislação estadual não permite que a corporação atue como órgão fiscalizador, mas apenas certificador. Caberia ao município, desta forma, cobrar o cumprimento das normas de segurança em casas noturnas e igrejas, conforme prevê a força-tarefa idealizada pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro Sul de Bauru.

Os bombeiros seriam responsáveis apenas por inspecionar os estabelecimentos para a emissão e revalidação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), trabalho realizado, atualmente, sempre a partir da solicitação do proprietário. “Testamos, in loco, se todos os equipamentos estão funcionando e se toda a estrutura disponível está de acordo com o tamanho do empreendimento”, pontua Damiati.

Entre os itens a serem checados estão a quantidade e largura das saídas de emergência, que devem respeitar a capacidade de público; iluminação e alarme de emergência; extintores; brigada de incêndio e controle de material de acabamento e revestimento do local.  “Se algum destes itens estiver em desacordo com a legislação, não emitimos o AVCB. Mas não temos como impedir o estabelecimento de funcionar, tarefa que deve caber à prefeitura”, pontua.

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