Santa Maria - O delegado regional Marcelo Arigony afirmou em entrevista coletiva ontem que a espuma de isolamento acústico utilizada na boate Kiss, onde 235 pessoas morreram no domingo, “foi a causa das mortes”. A polícia ainda aguarda o resultado da perícia que deverá comprovar essa afirmação. Segundo o delegado, essa espuma costuma ser utilizada em estúdios de gravação, mas geralmente combinada com algum outro material, que a torne menos inflamável.
“A espuma foi colocada com a finalidade de melhorar a acústica do local”, explicou Arigony. De acordo com relatos de sobreviventes, o fogo teria começado na espuma da boate, após um integrante da banda Gurizada Fandangueira manipular um sinalizador. Faíscas atingiram o teto e iniciou as chamas. O guitarrista da banda afirmou que o extintor de incêndio não funcionou.
Anteontem, o advogado de um dos sócios da boate, Jader Marques, havia dito que a espuma tinha sido instalada por seu cliente para evitar a propagação de ruídos. Depois que a espuma foi instalada, a boate Kiss não passou por nenhuma vistoria dos órgãos públicos.
Liberdade negada
O juiz plantonista da Comarca de Santa Maria Afif Simões Neto negou o pedido de liberdade provisória em favor de Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, um dos sócios da boate Kiss. De acordo com o magistrado, não há motivos plausíveis para desfazer a sentença do Juiz Régis Adil Bertolini.
O decreto de prisão temporária embasou-se em fundamentos fáticos e jurídicos, principalmente no que diz respeito à necessidade da custódia para a investigação que se encontra em curso, destacou o juiz.
Ainda conforme destaca na decisão, o magistrado afirmou que a autoridade policial deverá fazer nova inquirição do demandante agora que já foram reunidos mais elementos para o aprimoramento do trabalho investigativo. Elissandro está hospitalizado em Cruz Alta.
Abaixo-assinado
Um grupo de moradores de Santa Maria começou, ontem, a coletar adesões a um abaixo-assinado pedindo o cumprimento das leis de segurança em locais públicos às autoridades. O texto exige a tomada de medidas “imediatas, firmes e eficazes no sentido de implementar procedimento de fiscalização no cumprimento das normas técnicas e exigências legais e existentes para o funcionamento de estabelecimentos como casas noturnas”.
Também pedem que a renovação de alvarás e licenças seja feita antes do vencimento e, caso não esteja concluída a tempo, os estabelecimentos sejam interditados. “Queremos coletar 30 mil assinaturas até quarta-feira da semana que vem”, diz a professora Lúcia Madruga, uma das dez pessoas que estão coletando assinaturas. O documento será entregue a todos os órgãos públicos que têm algum tipo de responsabilidade com a questão da segurança.