A taxa de desemprego nos Estados Unidos ficou praticamente estável em janeiro ao atingir 7,9%, segundo dados do Departamento de Trabalho divulgados hoje. Em dezembro, o índice havia ficado em 7,8%.
Em números absolutos, houve ganho líquido de 157 mil postos de trabalho, abaixo da expectativa inicial dos analistas que esperavam crescimento de 170 mil empregos. O cálculo é feito a partir da diferença entre as vagas abertas e fechadas.
O número de vagas é menor que o saldo obtido em dezembro, de 196 mil, mas se deve ao crescimento do mercado de trabalho no período do Natal e a diminuição em janeiro, após o fim das festas. Outro fator a ser considerado foi o aumento das taxas da previdência social, que provocariam a diminuição do emprego.
No entanto, outros dados sobre o desemprego tiveram efeito positivo. As médias anuais de 2011 e 2012 ficaram em 180 mil novos empregos mensais, o que está acima da expectativa do mercado de que seriam criadas 150 mil vagas no período.
O índice é ainda melhor no fim do ano, com média de 200 mil empregos. As médias foram encaradas pelo mercado financeiro como sinal de estabilidade no país, o que também significa a retomada do crescimento econômico.
Desaceleração
A taxa de desemprego mantida em níveis mais estáveis pode ser atrapalhada nos próximos meses pelo mau resultado do crescimento do PIB no quarto trimestre. Segundo o Departamento de Comércio, a economia americana encolheu 0,1% entre outubro e dezembro.
O crescimento anual da economia em 2012, no entanto, está acima do obtido em 2011. A primeira prévia mostra que os Estados Unidos cresceram 2,2% no ano passado, quatro décimos a mais que os 1,8% de dois anos atrás.
Outro ponto que pode derrubar os índices da economia americana é a incerteza provocada pelas discussões sobre o aumento do teto da dívida pública e de uma série de cortes no Orçamento para diminuir o deficit.
As medidas visam reduzir os efeitos do chamado "abismo fiscal", um grupo de aumentos de impostos e cortes orçamentários que causarão um impacto de US$ 600 bilhões na economia americana. O discussões sobre o abismo foram adiadas para março após um acordo no Congresso americano.
Caso sejam aprovadas, as medidas podem reduzir ainda mais a expectativa de crescimento, o que poderia levar os Estados Unidos a uma nova recessão, em meio à crise financeira provocada pelo aumento da dívida pública na Europa.