Álbum da família |
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A vítima estava grávida de dois meses |
“Desaparecida”. Era o que dizia o cartaz com a foto de Sandra Maria da Silva, 36 anos, e que foi espalhado por postes do bairro Mary Dota durante dois dias. Infelizmente, a procura acabou de forma trágica. A auxiliar de serviços gerais foi encontrada com o pescoço cortado em um matagal do bairro. Como se já não bastasse a crueldade do crime, a vítima estava grávida de dois meses e há suspeitas de que ela tenha sido estuprada.
Sandra, que tinha três filhos e trabalhava em um frigorifico do bairro, foi localizada pelo marido José Pereira de Lima, 28 anos, pouco após a meia-noite de ontem. Ela estava sem as roupas e com um corte profundo na garganta.
O drama da família, contudo, começou na quarta-feira. Segundo o marido, que também trabalha no frigorífico, Sandra saiu para o serviço naquele dia por volta das 6h30 e não foi mais vista.
José relata que já notou algo estranho por ela não ter ligado no almoço. Depois, tentou contato com a esposa, mas também não teve sucesso. Preocupados com o sumiço, o homem procurou em hospitais e na casa de uma colega de trabalho, que confirmou que ela não havia ido trabalhar.
O marido também procurou a Polícia Militar (PM), onde foi orientado a aguardar o dia seguinte para registrar o desaparecimento (leia mais abaixo). Na manhã de quinta-feira, José conseguiu fazer o registro e ainda montou um grupo para tentar localizá-la.
E as buscas, que duraram o dia todo, terminaram na madrugada de ontem. Um dos amigos do marido, que ajudava nas buscas, sugeriu que procurassem próximo a uma árvore em meio ao matagal.
Lá, José encontrou uma espécie de trilha e, mais adiante, algumas peças de roupa. Ao ver os pés de uma mulher, ele teve certeza: a busca havia terminado.
Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, a vítima estava nua e as roupas aparentavam terem sido retiradas com violência. Por isso, são fortes as suspeitas de estupro.
Pistas
A Polícia Científica foi acionada e realizou a perícia no local. Foi coletado material dos órgãos genitais e da boca de Sandra da Silva para tentar encontrar vestígios de sêmen e comprovar o estupro. O laudo deve ficar pronto dentro de 30 dias.
Por conta da fauna cadavérica – larvas e formigas -, a perícia atestou ainda que a mulher foi morta entre 22 e 30 horas antes de ser localizada.
Foi recolhida ainda uma presilha de prender cabelos quebrada. “Isso pode indicar que ela foi arrastada pelo cabelo até o local. Provavelmente, estava sob ameaça do instrumento de gume com a qual foi morta”, explica Kleber Granja.
As roupas íntimas também aparentam terem sido cortadas com o mesmo instrumento. Ela, contudo, não tinha lesões de defesa pelo corpo.
A polícia fez buscas em um grande perímetro para tentar localizar a arma do crime, porém, sem sucesso. Foi localizado um jaleco branco, que foi apreendido. A bolsa da vítima e os documentos estavam no local.
Feto passará por teste de DNA
Como a Polícia Civil ainda não descarta crime passional, o feto de apenas dois meses que Sandra da Silva carregava no ventre passará por teste de DNA. “Queremos comprovar que o filho era mesmo do marido”, explica Kleber Granja.
José de Lima relatou que a gravidez havia sido recém-descoberta pelo casal e que, apesar de ambos estarem felizes, o fato foi uma grande surpresa. “Ele disse que a gravidez não foi planejada, mas não demonstrou que fosse indesejada. Ele tem certeza ser o pai”, complementa.
O marido da vítima foi ouvido oficialmente ainda ontem, logo após o enterro. O amigo dele, que encontrou o corpo, também será ouvido.
Polícia não descarta um ‘cenário montado’
Por conta das circunstâncias em que o corpo foi localizado, a hipótese de um estupro realmente é a principal linha de investigação. Tanto que a DIG se reuniu com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para levantar outros casos ocorridos recentemente e tentar traçar algum paralelo.
“Uma das linhas de investigação é realmente o estupro cometido por alguém que seria próximo da vítima. Então, cometeu o homicídio para que ela não revelasse a ninguém”, relata o delegado Kleber Granja.
Há, todavia, outra linha de investigação paralela e que sugere um “cenário montado”. O titular da DIG explica que o crime pode ter tido outra motivação – inclusive passional – e, assim, foi criada aquela cena para dissimular um estupro e dificultar as investigações.
Granja confirma que as apurações já estão bem encaminhadas e descarta a hipótese de um latrocínio, uma vez que tanto a bolsa da vítima quanto o celular estavam ao lado do corpo.
Assassino seria conhecido
Além do bebê que esperava, Sandra era mãe de outras três crianças. Um filho mais velho, de 16 anos, de seu primeiro casamento; e duas outras – um menino de 2 anos e uma menina de apenas 1 - com José Pereira Lima. A mulher tinha o sonho de rever os pais no Nordeste, que, segundo a própria família, foi interrompido por alguém conhecido.
Casada há 9 anos com Lima, Sandra é descrita como uma pessoa amorosa. “Ela vivia para casa, para o trabalho e para os filhos. Dificilmente saía sozinha. Ela não tinha inimigos”, comenta a cunhada da vítima, a doméstica Deise Albuquerque, 36 anos.
Ela estava casada há 9 anos com José Lima, com quem trabalhava no frigorifico. “Geralmente, nos víamos durante meu intervalo. Na quarta-feira fiquei a tarde toda em reunião na empresa e não a vi. Infelizmente, notamos o desaparecimento só depois”, conta.
A mulher trabalhava no frigorífico, que fica a cerca de 10 minutos de sua casa, há três meses e duas semanas. Antes, foi funcionária por quatro anos de um supermercado na cidade, onde, segundo os familiares, era querida por todos. Na noite anterior ao desaparecimento, o marido relata que a vítima brincou com os filhos e eles jantaram juntos, ainda comemorando a gravidez recém-descoberta.
Na quarta-feira em que Sandra Maria da Silva desapareceu, os familiares afirmam ter procurado a Base Leste da PM. Contudo, de acordo com eles, os policiais aconselharam a aguardar até o dia seguinte para registrar o desaparecimento. Procedimento equivocado, de acordo com a própria corporação. Segundo o relações públicas da PM, capitão Alan Terra, os familiares da vítima podem procurar o comandante da base e fazer uma reclamação. (Com Marcele Tonelli)
