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Paralisação fecha bancos em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Vigilantes protestam por reajuste de 30% de adicional de periculosidade já aprovado pela Câmara dos Deputados

Transtorno. Essa é a palavra que resume a situação de quem precisou ir a uma agência bancária ontem e encontrou a unidade de portas fechadas. A paralisação dos vigilantes, que acontece em diversas cidades do Estado, reuniu ao menos 160 funcionários na Praça Rui Barbosa para um protesto. A categoria reivindica o reajuste de 30% de adicional de periculosidade aprovado pela Câmara dos Deputados.

Segundo o JC apurou junto aos sindicatos dos Vigilantes de Bauru e dos Bancários, ao menos 21 agências da cidade não funcionaram ontem por conta da falta da segurança, sendo que oito eram da Caixa Econômica Federal.

A mobilização dos vigilantes, contudo, não será estendida por mais dias, conforme o sindicato da categoria. Os bancos devem abrir normalmente nesta segunda-feira.

“Mesmo se não houver acordo, os postos de trabalho serão retomados normalmente na próxima semana. Na segunda-feira, faremos uma avaliação da paralisação para decidir quais serão os próximos passos”, informa o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Bauru e Região, José Antônio de Souza, alertando que novas paralisações poderão ocorrer nas próximas semanas por um período mais longo.

Segundo Souza, ao menos 160 vigilantes participaram do movimento. “Houve uma adesão muito boa. Os funcionários da Caixa Econômica Federal e do Banco Mercantil do Brasil aderiram 100%, o Bradesco 80%. O Santander e o Itaú aderiram parcialmente”, afirma o presidente do sindicato dos vigilantes.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de Bauru, a cidade possui cerca de 40 agências de atendimento ao público. Dessas, ao menos 21, que representariam o contingente informado pelos vigilantes, teriam ficado fechadas ontem. O número oficial, contudo, não foi informado nem mesmo pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).


Intervenção

E não foram somente os vigilantes que estiveram nas ruas ontem. Por conta da situação gerada nas unidades bancárias, diretores do Sindicato dos Bancários realizaram intervenções em algumas unidades que insistiam em permanecer com funcionamento normal, mesmo sem a garantia de segurança.

“Só pela manhã, recebemos três denúncias de agências que funcionavam sem os vigilantes e fomos obrigados a fazer intervenções para impedir que os funcionários continuassem trabalhando. Afinal, é uma exposição e um risco muito grande”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários, Marcos Tadeu Lenharo.

Conforme Lenharo, as agências que necessitaram de intervenções do sindicato estão localizadas na região central da cidade, nas ruas Agenor Meira e Primeiro de Agosto.


Motivação

O protesto, que também aconteceu em cidades como Sorocaba, Campinas, Rio Claro, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo, é realizado com a finalidade de pressionar as empresas a repassarem o percentual total do adicional firmado na legislação.

“As empresas só querem nos pagar 18%. Nosso direito é 30%. A verdade é que os postos de trabalho estão aumentando cada dia mais e os profissionais estão cada vez mais desvalorizados”, comenta o vigilante Tiago Silva de Souza.

Conforme o sindicato, o piso salarial atual dos vigilantes é de R$ 1.085,00, sendo que o adicional de periculosidade estabelecido pela lei chegaria a R$ 325,00.

O acréscimo de 30% aos vigilantes e seguranças privados é cobrado devido ao risco de roubos e violência física a que estão expostos durante o cumprimento do trabalho, todos os dias. O projeto é de autoria da ex-deputada e hoje senadora Vanessa Grazziotini (PCdoB-AM).

Trabalhando há 20 anos como vigilante, Altair Polinari, 53 anos, pontua a necessidade da valorização dos profissionais por meio do adicional. “Há alguns anos, no pátio de uma empresa ferroviária, surpreendemos alguns bandidos e recebemos tiros em troca. Por sorte, ninguém se feriu, mas é um risco que corremos diariamente nessa profissão”, relata.


Clientes são prejudicados

Enquanto a mobilização com cartazes, apitos e buzinas ocorria na praça Rui Barbosa na manhã de ontem, clientes faziam filas em caixas eletrônicos no interior das agências fechadas. Outros desistiam de esperar pelo atendimento e retornavam para o trabalho ou para casa. Esse foi o caso do aposentado José Pereira da Silva, 80 anos, que após meia hora de expectativas acabou desistindo de sacar sua aposentadoria. “Eu tinha escutado um rumor, mas não acreditava que o banco ia parar. Não sei sacar dinheiro sozinho e não tem nenhum funcionário lá dentro para me ajudar. O jeito é passar o final de semana com o que dá e voltar na segunda-feira”, reclama o aposentado.

Por conta da paralisação, em algumas lotéricas da cidade era possível observar um fluxo maior de pessoas.


Posicionamento

Em nota, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informou que as instituições financeiras desenvolverão todos os esforços legais para bem atender os usuários dos serviços bancários.

“O atendimento aos clientes é preocupação central dos bancos associados da Febraban”, informa.

A  Febraban observa ainda que a aplicação da reivindicação imediata é descabida, considerando que o Ministério do Trabalho e Emprego já comunicou oficialmente a formação de um grupo técnico para redigir as condições de aplicação da lei que estabelece o pagamento do adicional de periculosidade.

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