Esportes

Tênis: Bauruense no topo do ranking

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Ginásio Panela de Pressão recebendo ótimo público para Bauru x Minas pelo Novo Basquete Brasil (NBB), no último dia 26. No intervalo, surge na quadra um menino apresentado por Gilmar Barros, o locutor “show Bauru” do basquete, como a nova revelação do esporte bauruense. Seria Caio Joaquim Bergamini um novo Oscar Schmidt do basquete brasileiro? O esporte de Caio inclui bola. Mas ao invés da bola laranja do basquete, Caio enche de raquetadas precisas uma amarelinha que vai e vem frenética sobre uma rede.

O garoto é o primeiro colocado do ranking da Federação Paulista de Tênis (FPT) na categoria 10 anos. Bauruense, ele dá sequência a gerações de excepcionais tenistas da cidade. Os pais, Cristiane Berriel Joaquim Bergamini e André Luiz Pascoal Bergamini, estão empolgados junto com Caio em um momento de muitas expectativas para a família.

O tenista é o mais novo dos cinco netos de Marilena Berriel Joaquim, apaixonada por tênis e mãe de Simone, Denise e Cristiane, trio de irmãs que jogaram tênis pela Sem Limites. Cristiane e as tias de Caio são primas de Renato e Cecília Joaquim, também expoentes do esporte em Bauru. “Minhas primas (Cecília e Regina) e o Renato Joaquim jogaram muito”, frisa Cristiane.

A mãe de Caio comenta que jogou até os 15 anos e, assim como suas irmãs, disputou torneios e tem recordações dos Jogos Abertos do Interior.


Viagens

Caio terá como primeiro compromisso deste ano receber um prêmio no jantar “Melhores do Ano”, promovido pela Federação Paulista de Tênis. O bauruense estará lado a lado com os melhores de 2012 em todas as categorias do ranking paulista, no dia 8 de março, no tradicional Clube Paineiras, em São Paulo.

Caio leva na esportiva o feito de figurar no topo do ranking da Federação. Aos 11 anos, além do tênis se interessa por videogame e pela leitura da coleção “Mortos de Fama”, da Cia das Letras. Já leu as 176 páginas de “Alexandre o Grande – e sua sede de fama”, de Phil Robins. Agora, Caio envereda pela vida do cientista Albert Einstein (Albert Einstein – e seu Universo Inflável, escrito por Mike Goldsmith). Ele comenta que gosta muito de esporte. Sua performance escolar é comparável com os excelentes resultados obtidos na temporada passada em quadra. “Minhas médias são 9 e 9,5 na escola”, comenta Caio, que está no sexto ano (quinta série). A rotina de treinos, viagens e jogos tem suas compensações para Caio. “Amo viajar. Pra mim aguento até quando for”, comemora.

Cristiane, a mãe, conta que todos os netos de Marilena Berriel Joaquim sabem jogar tênis. Entretanto, Caio foi o que despontou para o mundo das competições do tênis. Somente em 2012 foram 20 torneiros arrebatando 20 troféus na categoria 10 anos e circulando por várias regiões do Estado. Caio começou com aulas aos cinco anos e compete há três. O garoto completou 11 anos no dia 11 de janeiro. “A performance dele foi brilhante o ano todo e se destacou na categoria 10 anos”, define Cristiane.

Para este ano, os pais e os técnicos traçaram uma estratégia para o jovem com ênfase no treinamento mais intenso e torneios selecionados ao invés da maratona do circuito de competições. Cristiane revela que a estratégia pretende uma melhor preparação técnica por ser o primeiro ano do filho na categoria 11 anos, com garotos mais tarimbados. No ano que vem, Caio estará mais pronto para jogar com os mais experientes. Cristiane avalia que o filho está preparado para essa etapa porque incorporou a disciplina do tênis desde pequeno.

Cristiane e André comemoram os resultados do filho em um esporte individual e estão atentos às barreiras de uma carreira complicada que é a de tenista profissional. A mãe entende ser necessário mudar a tendência no Brasil da garotada iniciar muito cedo no tênis. “Isso gera desgaste emocional e físico”, pontua.

Ela ressalta que o País possui jogadores na categoria infanto-juvenil excepcionais. Porém, nas categorias acima, a coisa “pega”.


Treinadores

Caio treinou em 2012 com Celso Sacomandi, no Bauru Tênis Clube (BTC), com Helder Gouveia, na Associação Luso Brasileira  de Bauru (ALBB), e com a equipe de Jaú em Itapuí.

Tenista bauruense e colunista do JC, Celso Sacomandi venceu sete brasileiros como juvenil, e coleciona títulos dos Jogos Abertos do Interior. De acordo com Júlio Meca, outro grande tenista da cidade, uma das características de Sacomandi e que irritava os adversários era ganhar de “Pirelli”, referência a “pneu” (quando um tenista aplica um 6/0 no rival). No jargão dos tenistas, vencer de “Pirelli” é de 2 sets a 0, com parciais 6/0 e 6/0. Os amigos tenistas comentam que alguns jogadores preferiam ser desclassificados na semifinal do que levar de “Pirelli” na final contra Sacomandi.


Vitória em família

Caio Joaquim Bergamini convive com a cultura do esporte e, em particular, com a do tênis, modalidade refinada e que exige disciplina e algo a mais. Talvez no caso de Caio o algo a mais venha da família. Pelo lado dos primos da sua mãe e tias, o tênis bauruense foi bastante vitorioso. O tenista Renato Joaquim começou aos seis anos com o professor Cláudio Sacomandi, pai de Celso. Como juvenil faturou sete brasileiros, três Sul-Americanos e foi vice-campeão do Orange Bowl, perdendo para o brasileiro Max Wilander. Jogou profissionalmente torneios de Grand Slam, como Roland Garros e Wimbledon. No período da Copa Davis promovida em Bauru, em maio de 2010, ele comentou em entrevista ao JC, que acredita ser o jogador mais jovem a se profissionalizar, quando tinha apenas 16 anos. Renato foi dez vezes campeão dos Abertos. Também atuou como professor de tênis durante dez anos.


Cecília Joaquim

A tenista baruense Cecília Joaquim ganhou o Banana Bowl, o Sul-Americano e o Brasileiro em 1970. Cecília conta que seu melhor período no tênis foi de 1968 a 1975, quando venceu campeonatos estaduais e Jogos Abertos do Interior. Nos Abertos, fazia parceria com sua irmã, Regina Joaquim. “Era demais ganhar os Abertos. Meu melhor período foi quando tinha entre 14 e 19 anos”, define.

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