Regional

Fã de rádios mora em Piratininga

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

O encarregado José Gilberto Moura Filho tem paixão por rádios desde criança. Hoje, ele guarda 52 peças garimpada em feiras, compradas via Internet - ou que recebeu de presente de amigos.

Ele conta que morava na Bahia e seu irmão tinha um rádio portátil movido a pilha que ele não era autorizado a usar.

“Quando meu irmão ia dormir, eu pegava o rádio e ficava ouvindo baixinho. Tinha que ficar com o aparelho no ouvido e os olhos nele porque, se ele se mexesse, na cama eu desligava.”

Outro episódio da infância que já apontava para essa paixão é relembrado com saudade por Moura Filho. “Meu pai tinha um rádio grande, um Canarinho se não me engano. Eu sempre estava lá mexendo. Ele saía no sábado e eu ficava com o rádio ligado. Cansei de ferver pilha para tentar dar uma carga porque elas esgotavam e eu não tinha dinheiro para adquirir outra. Eu devia ter uns 12 anos.”

Já com 18 anos, no ano de 1989, o encarregado comprou seu primeiro rádio.

“Foi à época que comecei a trabalhar. Foi um rádio da marca Campeão. Hoje eu não tenho mais esse aparelho, infelizmente. Era portátil. Eu era apaixonado por Motorádio, até hoje sou. Tenho 17 dessa marca. Andava com ele, tinha que ser Motorádio porque ele permitia a sintonia com a rádio Sociedade da Bahia e a Globo do Rio de Janeiro. Era um aparelho mais potente, tinha uma sintonia melhor.”


Por todo o lado

Desde criança o encarregado pensava em ter dinheiro para adquirir muitos rádios. “Minha meta é chegar aos 100 rádios. A Internet facilita a compra. Aqui em Bauru frequento a feira do rolo onde já comprei alguns. Ganhei alguns de amigos. Quando eu comento, eles lembram que tem um antigo em casa e acabam me presenteando. Na disputa no Mercado Livre (Internet) tem muita gente. O National veio na caixa original. Paguei R$ 155,00 em Minas Gerais.”

Todos os rádios do acervo funcionam, garante o colecionador. “Os dez Motorádios funcionam com energia elétrica e a pilha. Os demais são a pilha. Alguns ainda usam as grandes. Os mais antigos são o de caixa de madeira (valvulados e um portátil), depois os Motorádios. Eles não têm preço porque eu não vendo.” 

Quando sintoniza uma rádio AM, o encarregado procura informações sobre esportes. “Eu torço para o Bahia, não dispenso informações sobre futebol. No período noturno sintonizo até a Argentina, tenho um radinho com 12 faixas.  Com os rádios que eu tenho eu pego todas as rádios AMs, de Minas para cá, Rio de Janeiro, rádio gaúcha. Durante o dia,  só duas de Bauru.”

Em casa, Moura Filho anda com o rádio sempre ao lado. “Na cama estou ouvindo rádio, na cozinha e na sala. Nas horas vagas eu limpo os rádios, faço pequenos consertos.”


Fato inusitado

O encarregado conta que certa vez sua mulher pediu para ele adquirir um produto para o tratamento de cabelo dela. Antes de chegar ao estabelecimento, ele encontrou um rádio.

“Usei o dinheiro para comprar o rádio. O produto de cabelo ficou para depois.”


Agricultor de Macatuba coleciona tudo que for antigo

José Cesar Artioli é um apaixonado por tudo que for antigo, que conte uma história do passado. Restaura e guarda carros, trator, fotos, gramofone, rádio vitrola, implementos agrícolas, brinquedos, saxofone, armas e pequenos objetos.

Ele faz questão de ressaltar que coleciona o antigo por puro hobby. São oito carros - e o mais antigo foi fabricado em 1928, um Fordinho pé de bode. Tem, ainda, Gordini, Fusquinha... E mais sete tratores, um deles que era do avó do colecionador.

“Eu moro na fazenda e tinha 10 anos quando adquiri a primeira peça da coleção: um estribo do arreio ancião próprio para mulher. Deve ser da década de 20, época em que as mulheres não usavam calça comprida, então as pernas ficavam de um lado só. Lado esquerdo. Esse arreio era da época de minha avó. Ela o usou para ir de Macatuba a Lençóis Paulista para se casar porque aqui não tinha cartório.”

O arreio tem um chinelo de ferro que faz parte do conjunto. “Tenho muitas peças relacionadas com os animais que eram usados como meio de transporte. Carro de boi, carretela... Nunca expus e não quero vender”, avisa.


Guerra do Paraguai

Cada objeto tem uma história que o agricultor conta com facilidade. Recentemente, descobriu que uma de suas espingardas foi usada na guerra do Paraguai. “ Meu gosto é comprar objetos antigos, coleciono tudo. Essa espingarda eu comprei de um sujeito e guardei. Outro dia, assistindo o acervo de um museu, vi uma igual. Comprovei que o que o senhor que me vendeu falou que era uma espingarda da guerra do Paraguai.”

“Ele falou que o trabuco tinha sido usado na guerra. Eu não acreditei porque não imaginei que uma arma dessas poderia estar nas mãos de pessoa tão simples. Mas era verdade.” Ele confessa que procura peças em todos os lugares. “Semana passada trouxe peça do Uruguai. Tem relógio antigo, TV antiga, rádio antigo, bicicleta, carro, troller e implementos. Eu não compro para negociar, mas para colecionar.”


Aposentado de Bariri é ‘guardião de bikes’

O aposentado Paulo Almeida tem paixão por bicicletas. Sua coleção, que já data mais de 20 anos, contém 40 delas, entre as restauradas e as que aguardam restaurações. A maioria delas é da década de 40 e 50 adquiridas através da Internet - e na garimpagem em cidades da região e até fora do Estado de São Paulo.

A coleção tem peças raras, entre elas a americana Schwinn de 1947, que ainda não está restaurada. A vedete é a Bianchi, uma italiana de 1948 que já está restaurada e é uma das preferidas do colecionador. Tem ainda a  Husqvarna, Prosdócimo, Centrum (suecas); Raleigh, Phillips, Hercules, Elswick e BSA (inglesas).

As mais caras são a Bianchi e a Schwinn. Quase todas as bicicletas são importadas dos Estados Unidos, Inglaterra, Suécia, Itália e Alemanha.” 

Almeida frisa que participa de exposições há mais de 10 anos.

“Inclusive nos encontros anuais de carros antigos que fazemos na cidade de Bariri, que acontece todo mês de junho. Temos um espaço somente para as bicicletas antigas clássicas.”


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