Brasília - Principal aliado do governo Dilma Rousseff, o PMDB escolhe hoje o novo líder de sua bancada na Câmara. O posto é disputado por três deputados: Eduardo Cunha (RJ), Sandro Mabel (GO) e Osmar Terra (RS). Cunha, que não conta com o apoio do Planalto, é apontado como favorito, com Mabel não muito distante.
Nos últimos dias, os três peemedebistas se reuniram para tentar baixar o tom da campanha, que contava com ataques pesados nos bastidores. Até o vice-presidente, Michel Temer, enviou recados na expectativa de evitar que a disputa provoque um racha.
O novo líder terá nas mãos o poder de emplacar aliados em comandos das presidências das comissões mais importantes e as relatorias dos principais projetos.
Fiel da balança
Segunda maior bancada da Casa com 78 deputados, o PMDB é fiel da balança da base aliada do governo nas votações e, por isso, sua liderança é considerada vital para a articulação política do Planalto com o Congresso.
Os nomes que estão na briga, no entanto, não agradaram o Executivo. Cunha preocupa o governo, em especial, pela interlocução que tem com vários setores que demandam mudanças nas medidas provisórias editadas pelo governo.
Outro incômodo é o apetite por cargos federais. Sem o aval do Planalto, Cunha conquistou o apoio do governador Sérgio Cabral (Rio de Janeiro) e também de Geddel Vieira Lima (BA), vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal.
Disputas
Brasília - Diante da resistência do governo, Eduardo Cunha se afastou de um de seus principais aliados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), apontado como favorito para a presidência da Câmara. Alves, inclusive, decidiu anular seu voto para escolha de seu substituto na liderança.
Na semana passada, a Folha revelou que Cunha foi denunciado no Supremo por supostamente ter usado documentos falsificados - ele afirma ser inocente. Já Mabel se filiou apenas em 2011 ao PMDB. Ele tenta usar o discreto apoio do governo para ganhar votos. Com passagem pelos antigos PFL, PL e PR, na última eleição para o comando da Casa ele perdeu a disputa pela presidência para o petista Marco Maia (RS), atual comandante da Casa. O deputado goiano tem bom trânsito entre os parlamentares do chamado “baixo clero”.
Osmar Terra perdeu prestígio do governo por ser próximo a José Serra, derrotado pela presidente Dilma Rousseff na última campanha presidencial. Considerado azarão, ela espera tirar votos dos insatisfeitos com a concentração de poder da bancada.