Buenos Aires - O governo argentino afirmou ontem que a decisão do FMI de emitir uma moção de censura contra o país é um “novo erro” e um claro exemplo do “tratamento desigual” e do “duplo standard” do organismo em sua relação com certos países.
Anteontem, o FMI emitiu uma moção de censura contra a Argentina por causa da qualidade das estatísticas econômicas do país. Os índices de inflação divulgados pelo governo argentino são considerados pouco confiáveis e estariam bem abaixo da real aceleração de preços.
É a primeira vez na história do Fundo que um país é advertido dessa forma, dando início a um processo que pode resultar na expulsão da Argentina da instituição.
O Ministério da Fazenda argentino solicitou uma “reunião extraordinária com a junta de governadores do FMI” para que examine a política do Fundo “em relação ao país” e “sua atuação na origem da crise econômica e financeira mundial”.
“Esse é o mesmo Fundo que se mostra complacente com declarações inexatas de dados e políticas fracassadas que levaram à crise global”, declarou o ministério em nota. “Um FMI que está consciente de que suas receitas não funcionam, mas não se arrepende de suas recomendações”, acrescenta o texto.
No comunicado, a Fazenda argumenta ainda que, do mesmo modo que a Argentina, outros países modificaram a metodologia de suas medições de inflação.