Quando abri o Jornal da Cidade e vi a notícia da morte de Ari Vidal fiquei muito triste, pois ele foi uma pessoa muito importante em minha história esportiva. Foi meu primeiro técnico da Seleção Brasileira de Basquete. Ele, como técnico, e o Paulo de Tarso Bartolomeu, como assessor, me convocaram pela primeira vez para defender o Brasil numa excursão para o México, Peru e Colômbia. Na época, ele era muito jovem, tinha apenas 30 anos, mas já despontava como um grande técnico. Inclusive, já havia ido com a Seleção Feminina (1965) para a Europa para uma série de jogos contra a Checoslováquia (antiga) para o Comitê Olímpico Internacional observar e ver se incluía o basquete feminino nas Olimpíadas. E foi o que aconteceu alguns anos depois.
Ele e o Paulo de Tarso me deram muita força porque eu era uma jovem atleta do Interior que de repente se viu no meio de jogadoras cobras que eu mal conhecia e tinha que apresentar tudo que eu sabia para não ser cortada; meu medo era imenso, a ansiedade maior ainda e a pressão nem se fala. Bem, resumindo, não fui cortada e ali começou minha carreira como atleta de seleção.
O tempo foi passando e quase 30 anos depois, quando fui a uma festa de comemoração pelos 100 anos do basquete em São José dos Campos, me encontrei com o Paulo de Tarso que me contou um fato que eu jamais soube. Foi o seguinte: quando fui pela primeira vez para a seleção quase fui cortada porque, naquela época, o Flamengo tinha o melhor time do Brasil, com Norminha, Delcy, Marlene, e havia uma garota dessa equipe que já havia sido convocada numa seleção anterior e foi cortada. Os diretores do Flamengo começaram a pressionar os dirigentes da Confederação de Basquete para me cortarem e levarem a garota, já que eu era de um time pequeno (Luso de Bauru), de uma cidade pequena, era jovem e teria outra chance mais pra frente.
Na hora, Ari Vidal, numa atitude de homem, disse para os dirigentes ? "a menina de Bauru fica, treinou melhor e se eu for forçado a cortá-la, coloco meu cargo a disposição". No que foi imitado por Paulo de Tarso, e eu fiquei.
Eu já era uma grande admiradora do Ari e quando soube disso minha admiração aumentou mais ainda. Há alguns anos ele veio com uma equipe jogar contra a Tilibra e eu tive o prazer de revê-lo e lhe dar um abraço. Foi o último abraço.
Ari, ainda como técnico da Seleção Masculina, ficou marcado pela vitória do Brasil de Oscar, Marcel, Guerrinha sobre os Estados Unidos na casa deles, no Panamericano de Indianápolis. Ari foi muito importante para o basquete brasileiro. Despede-se o homem, ficam os feitos e as boas recordações. Vai com Deus, amigo.
Jacy Guedes
Quando abri o Jornal da Cidade e vi a notícia da morte de Ari Vidal fiquei muito triste, pois ele foi uma pessoa muito importante em minha história esportiva. Foi meu primeiro técnico da Seleção Brasileira de Basquete. Ele, como técnico, e o Paulo de Tarso Bartolomeu, como assessor, me convocaram pela primeira vez para defender o Brasil numa excursão para o México, Peru e Colômbia. Na época, ele era muito jovem, tinha apenas 30 anos, mas já despontava como um grande técnico. Inclusive, já havia ido com a Seleção Feminina (1965) para a Europa para uma série de jogos contra a Checoslováquia (antiga) para o Comitê Olímpico Internacional observar e ver se incluía o basquete feminino nas Olimpíadas. E foi o que aconteceu alguns anos depois.
Ele e o Paulo de Tarso me deram muita força porque eu era uma jovem atleta do Interior que de repente se viu no meio de jogadoras cobras que eu mal conhecia e tinha que apresentar tudo que eu sabia para não ser cortada; meu medo era imenso, a ansiedade maior ainda e a pressão nem se fala. Bem, resumindo, não fui cortada e ali começou minha carreira como atleta de seleção.
O tempo foi passando e quase 30 anos depois, quando fui a uma festa de comemoração pelos 100 anos do basquete em São José dos Campos, me encontrei com o Paulo de Tarso que me contou um fato que eu jamais soube. Foi o seguinte: quando fui pela primeira vez para a seleção quase fui cortada porque, naquela época, o Flamengo tinha o melhor time do Brasil, com Norminha, Delcy, Marlene, e havia uma garota dessa equipe que já havia sido convocada numa seleção anterior e foi cortada. Os diretores do Flamengo começaram a pressionar os dirigentes da Confederação de Basquete para me cortarem e levarem a garota, já que eu era de um time pequeno (Luso de Bauru), de uma cidade pequena, era jovem e teria outra chance mais pra frente.
Na hora, Ari Vidal, numa atitude de homem, disse para os dirigentes ? "a menina de Bauru fica, treinou melhor e se eu for forçado a cortá-la, coloco meu cargo a disposição". No que foi imitado por Paulo de Tarso, e eu fiquei.
Eu já era uma grande admiradora do Ari e quando soube disso minha admiração aumentou mais ainda. Há alguns anos ele veio com uma equipe jogar contra a Tilibra e eu tive o prazer de revê-lo e lhe dar um abraço. Foi o último abraço.
Ari, ainda como técnico da Seleção Masculina, ficou marcado pela vitória do Brasil de Oscar, Marcel, Guerrinha sobre os Estados Unidos na casa deles, no Panamericano de Indianápolis. Ari foi muito importante para o basquete brasileiro. Despede-se o homem, ficam os feitos e as boas recordações. Vai com Deus, amigo.
Jacy Guedes