Tribuna do Leitor

"Sociedade doente mesmo"


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AO DIRETOR DO DER


E A CONTA É DE QUEM?


"Sociedade doente mesmo"

Concordo plenamente com o seu pensamento, Luiz Miguel Axcar, de que vivemos numa sociedade doente, aliás, somos essa sociedade doente. Doente a ponto de termos atingido este tão elevado nível de egoísmo, individualismo ?concentrados em nossas comilanças e em nossos subuniversos particulares?. Estamos no topo do consumismo, do desperdício e da violência de todos os tipos. Vivemos numa sociedade doente ao ponto de vermos o abandono, a crueldade, os maus tratos a idosos, crianças e animais, seres estes, vulneráveis e indefesos. Uma sociedade que polui, desmata, não recicla, volta a usar sacolas plásticas, que luta pouco ou não luta pelos seus interesses, que se acomoda mediante injustiças, só pode ser uma sociedade doente.
Quanto a ?situação super emocionante? sobre a qual o sr. escreveu, peço licença pra comentar. Acredito que o sr. conheça e pratique o sentimento ?compaixão? pelos humanos, mas, entendi pela sua carta que o sr, não faz o mesmo pelos animais e também desconhece as causas e as consequências de um animal abandonado nas ruas, assim como a Administração Pública de nossa cidade também ?parece desconhecer? ( neste caso, não se trata do sentimento, mas, das totais responsabilidades concernentes a causa animal). Diferente daquelas 4 moças, que acolheram aquele animal, que certamente sabem que um animal na rua significa procriação, mais abandono, doenças e sofrimento para o próprio animal, para o meio ambiente e para a comunidade, pois estamos muito inter-relacionados. Elas fizeram isso, não por comoção, como o sr. disse, mas por consciência do problema, inexistente em muitas cabeças.

É uma pena que o sr. não acredite (de acordo com seu texto), mas, se uma criança estivesse abandonada na grama de uma praça, teriam entidades, autoridades e manifestações de compaixão pela população. Aí sim, teríamos uma comoção. Se fosse um coletor de lixo reciclável, ele estaria fazendo o seu trabalho (sem entrar no mérito). E se fosse um mendigo, seria por alguma das inúmeras razões que o fariam estar ali. Mas, não importa quem e nem o que. Quero levantar a questão: por que tanta distinção entre seres vivos? Humanos e não humanos respiram o mesmo ar, tem as mesmas necessidades fisiológicas, sentem medo, frio e fome. A diferença é que os humanos ?pensam?. Pensam em destruir, em odiar, em alimentar preconceitos.

Qual o animal irracional que faz isso? Como é bom ter pessoas e entidades que lutam, defendem e protegem esta parte dos seres vivos que não tem voz e nem vez nessa sociedade tão doente. Estas pessoas e entidades precisam de apoio, de muita ajuda (e não de críticas destrutivas) pra acolher, cuidar, tratar dos animais que são descartados, abandonados pelos humanos, aliás, pelos mesmos humanos que se incomodam com a presença indesejada desses animais nas ruas. Para a ?doença? de nossa sociedade não existe culpa ou alguém culpado. Existe a responsabilidade de cada um em não deixá-la adoecer e/ou em curá-la. Cada um com a sua parte, ou todos pelas partes humana, animal e ambiental. O nosso maior problema, Sr. Luiz, é que nós ?evoluímos? tanto que deixamos pra trás certas virtudes que só podemos ver nos irracionais, virtudes essas que nos enriqueceriam e ajudariam muito no relacionamento humano e no relacionamento com o Planeta.

O sr. pede um ?2013 mais humano, menos apático, com mais amor e mais sensibilidade?. Eu entendi. O sr. pede um ?2013 mais solidário?, então, que tal começarmos a praticar isso com todos os seres vivos, principalmente os vulneráveis e indefesos, humanos e não humanos, à mercê da crueldade, do abandono e do descaso. Não quero dizer que devamos sair por aí recolhendo animais. Eu só peço que em vez de criticar, entenda, busque conhecer, ajude e apoie aqueles que fazem isso. Não zombe, mas pratique a sua humanidade, seu amor e sua sensibilidade.

Lilian Verge

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