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Para Barbosa, Câmara cumprirá sentença contra os deputados condenados

Por Márcio Falcão e Erich Decat | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, disse ontem não acreditar que a Câmara descumprirá a ordem da corte para cassar automaticamente o mandato dos quatro deputados condenados no processo do mensalão.


Barbosa chamou de “especulação” a resistência lançada pelos integrantes da nova Mesa Diretora da Câmara, eleita ontem. “A mim (o descumprimento) não preocupa nem um pouco”, disse o ministro, relator do processo. “Isso é só especulação. Não acredito que isso vá ocorrer.”

Horas após essa declaração, contudo, o novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), reafirmou que não seguirá a decisão. “Eu volto a dizer, e para bom entendedor basta: nós vamos finalizar o processo”, disse Alves. “Quem declara a perda do mandato, quem declara a vacância do cargo, quem convoca o suplente, quem aprecia as formalidades legais, (...) o direito de defesa, tudo, esta parte compete à Câmara fazer.”

Outros quatro dos sete integrantes da mesa diretora ouvidos pela reportagem concordam com Henrique Alves.

Vice-presidente do Supremo e revisor do processo, Ricardo Lewandowski também classificou a posição dos deputados de “especulações”. “Essa questão só vai se colocar quando a decisão (do julgamento) for definitiva, por enquanto, são meras especulações”, afirmou.

Quatro parlamentares foram condenados no processo: João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP), José Genoino (PT-SP) e Pedro Henry (PP-MT).

Segundo a decisão do Supremo, quando não houver mais possibilidade de recurso no STF - o que ainda não tem prazo para ocorrer -, caberá ao Legislativo apenas formalizar a perda dos mandatos. A cúpula da Câmara, porém, diz que submeterá a decisão a votação secreta no plenário da Casa, que pode rejeitar as cassações.

O julgamento do mensalão terminou em dezembro, mas ainda falta a publicação do acórdão (decisão) para que tenha início a fase da apresentação de recursos. Lewadnowski, por exemplo, disse que ainda está trabalhando em seu texto e não tem previsão para concluí-lo. Alguns ministros apostam que é possível divulgar o documento até o fim do mês.

O descumprimento da ordem do STF tem potencial para criar uma crise institucional entre os Poderes, com um desfecho legal ainda incerto.

Ministros do Supremo e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmam que o descumprimento caracteriza crime, mas não sabem qual seria o enquadramento. Integrantes do STF lembram o crime de desobediência aplicado a “particulares” prevê multa e prisão.

Há divergência, no entanto, sobre a aplicação a um membro do Congresso - que inclusive só pode ser preso em flagrante por crime inafiançável, o que não é o caso da desobediência. Se a Câmara não seguir a determinação do tribunal, o Ministério Público Federal pode entrar com um mandado de segurança.

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