Polícia

Homem de 53 anos morre atropelado

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Na manhã de ontem, Moacir Lemes iria acordar cedo para doar sangue. A prática costumeira de solidariedade que o homem de 53 anos tinha não foi possível por uma tragédia. Tragédia que, segundo testemunhas, foi motivada pela imprudência. Pelos relatos, a vítima atravessava a rua pela faixa de pedestres e com o sinal fechado quando foi atropelada. O motociclista nega a acusação. É o primeiro atropelamento fatal dentro de Bauru em 2013.

O acidente ocorreu no cruzamento da avenida Pedro de Toledo com a rua Sete de Setembro. Moacir Lemes, que trabalhava na Multicobra e morava na Vila Industrial, tentava a travessia na avenida por volta das 21h30 de anteontem, quando foi atingido por uma motocicleta Honda Titan, placas de Piratininga.

Com o impacto, o homem foi jogado por vários metros e o motociclista, Dionatas Willians de Oliveira, 23 anos, também foi arremessado ao chão. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e socorreu tanto o pedestre quanto o condutor da moto.

Moacir Lemes foi conduzido ao Pronto-Socorro Central (PSC). Segundo sua família, ele estava com fraturas por todo o corpo, traumatismo craniano e ainda hemorragia interna. Cerca de duas horas após ter sido hospitalizado, Moacir não resistiu e morreu.

Segundo a filha da vítima, há várias testemunhas que apontam imprudência por parte do motociclista. “No hospital, várias pessoas me disseram o que ocorreu. Lá, no local do acidente, minha irmã conversou com mais gente que confirmou que meu pai estava na faixa e que o sinal estava vermelho. Seis ou sete pessoas disseram isso”.

O corpo de Moacir Lemes foi velado em Penápolis, sua cidade-natal. O sepultamento ocorre às 8h30 da manhã de hoje.

Já Dionatas de Oliveira foi socorrido com várias lesões pelo corpo. Ele foi medicado e, na tarde de ontem, já estava em casa. Ao JC, negou tanto que o sinal estava fechado quanto o fato de a vítima estar sobre a faixa de pedestres.

“O sinal ainda estava amarelo para mim. Tentei desviar e, por isso, joguei a moto sobre a guia. Mas acho que, com medo, ele também deu um pulo. Foi onde o acidente ocorreu. Mas ele não estava na faixa”, defende-se o motociclista.

Dionatas, porém, afirmou que estava a cerca de 60 ou 70 quilômetros por hora. Ele ainda estava com um passageiro na moto, que não se feriu no acidente.


Justiça

Apesar das alegações de Dionatas Oliveira, a família de Moacir Lemes está bastante indignada. Com base nos depoimentos das testemunhas, a filha alega que vai entrar com um processo contra o motociclista.

Mais do que isso, Denise Lemes promete iniciar uma campanha pedindo conscientização no trânsito. “Vou começar uma campanha para que o trânsito de Bauru melhore. Queremos Justiça em primeiro lugar. Depois, queremos conscientização”, finaliza.


Em investigação

O caso é investigado pelo 3º Distrito Policial (DP). “Inquérito será instaurado nas próximas horas provavelmente como homicídio culposo ou lesão corporal com morte”, diz o delegado Milton Bassoto Júnior.

Ele observa que, se o caso fosse de lesão corporal sem óbito, poderia ser remetido ao Núcleo Especial Criminal (Necrim).

“Mas, como há vítima fatal, ocorre esse outro tipo de apuração por aqui. E mesmo a natureza do ocorrido poderá depois ser mudada, para maior ou menor gravidade, pelo promotor”.


‘A vítima estava sobre a faixa de segurança’, reafirma testemunha

Um motorista de 25 anos, cujo nome foi preservado pela reportagem, viu todo o acidente. Ele, que estava com o veículo parado no semáforo da rua Sete de Setembro, não tem dúvidas: “o senhor estava na faixa de pedestres e o sinal estava fechado para o motociclista”.

A testemunha conta que Moacir Lemos atravessou primeiro na frente do seu veículo, na Sete de Setembro, para depois atravessar a Pedro de Toledo. “O sinal abriu para mim, então, estava fechado para o motociclista”, relata.

O motorista confirma ainda que a vítima estava sobre a faixa de pedestres e que o condutor da moto veio em alta velocidade. “Foi imprudência pura. Se o motociclista estivesse certo, eu falaria. Mas ele veio correndo muito”, complementa a testemunha.


Familiares desabafam: ‘A ficha ainda não caiu’

Ainda no velório, parecia não ter “caído a ficha” da família de Moacir Lemes. Em um misto de indignação e tristeza, relembraram que uma das maiores paixões do homem era jogar videogame.

“Ele adorava videogame. Também gostava muito de filmes. Era uma pessoa maravilhosa. Morreu em uma bobeira dessas. Às vezes, saía do trabalho e andava um pouco para se exercitar. Acho que foi aí que tudo ocorreu”, conta a filha Denise Lemes.

Além dela, Moacir deixa outra filha, de 21 anos. Ambas são frutos do primeiro casamento do homem, que, mesmo aposentado, voltou a trabalhar. “Ele se mudou de Penápolis para Bauru há um ano e meio. Teve outra esposa aqui. Ambos vieram morar comigo, pois, eu vim para cá estudar”, relembra Denise.

Em Bauru, com poucas semanas na cidade, Moacir começou a trabalhar na Multicobra. “Era uma área totalmente nova. Mas ele estava sempre correndo atrás e tentando bater suas metas. Tanto que fazia propagandas de funcionários da terceira idade”.

Na empresa, o clima foi de grande comoção. Denise revela que todos pareciam estar sentindo o mesmo que ela: a perda de um pai. “Ele era o paizão de todos”, conclui, emocionada. (VO)

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