Controlar a economia brasileira não é tarefa fácil. A estrutura dos mercados é de concentração. As empresas operam em denominados mercados imperfeitos em que prevalecem os monopólios e oligopólios. Quando isso ocorre a chamada lei de oferta e procura é deixada de lado e a imposição das condições da indústria passa a prevalecer.
Optamos, acertadamente, em não mais tabelar preços e serviços. A ideia básica é manter os mercados abertos, permitindo que o vendedor e o comprador se ajustem. Mas como colocado em mercados imperfeitos é preciso ter a mão firme do governo.
Esta mão firme não deve ser sinônima de intervenção é na verdade coibir abusos do poder econômico. Coloco isso por que a atual equipe econômica traçou uma estratégia, mas ainda não disse a que veio. As contradições são grandes e o mercado já percebeu isso. Se analisarmos as variáveis macroeconômicas que influenciam na produção ou renda agregada é fácil perceber esta indefinição.
A equipe econômica optou por afrouxar a taxa de juros. Reduziu a taxa básica, exigiu dos bancos oficiais queda nos juros, enfim, estimulou o consumo. O aumento nesta variável moveu a economia no primeiro momento da economia nacional. Se de um lado cresceu o consumo, não souberam operar bem a inadimplência. Variável preocupante.
No tocante a outra importantíssima variável, o investimento agregado, o país está abaixo do aceitável. Não passa dos 18,5% enquanto seria necessário no mínimo 25%. Os gastos públicos que poderiam ser reduzidos para abrirem espaços para os investimentos necessários, não foram contidos. Pelo contrário, o Estado continua inchado e inoperante, isso sem contar o desperdício do dinheiro público.
As exportações poderiam auxiliar no desempenho macroeconômico, mas com a necessidade de controlar a inflação, o governo tem derrubado a cotação do dólar e a solução não virá pela balança comercial, à medida que as importações também devem crescer. Quase uma sinuca de bico. É preciso ser firme. É preciso sinalizar ao mercado qual a estratégia, que a inflação está sob controle e não há espaço para improviso ou titubeio.
Mexer agora na política monetária é dar um tiro no pé, portanto, publicidade dos caminhos a serem seguidos nos parece ser o melhor caminho. Seria fundamental que o Banco Central mostrasse sua independência ou pelo menos autonomia e que o Ministério da Fazenda deixasse de ser analista da economia, coadjuvante, para ser efetivamente protagonista. Ainda há tempo, mas este momento da equipe econômica preocupa e muito.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib, diretor do Corecon e articulista do JC