Política

Eleição do Sindtran teve até bombas ontem

Da Redação com Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A violência e atos de vandalismo marcaram o início das eleições para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran), na madrugada de quarta para esta quinta-feira. Um grupo de desconhecidos teria atirado bombas em veículos estacionados próximo à sede da entidade, causando pequenos danos. Há, porém, relatos de que um dos automóveis teria sido incendiado. A reportagem não presenciou a cena e os envolvidos não foram identificados. A votação segue nesta sexta-feira.

O JC presenciou cenas de discussões acaloradas entre representantes das quatro chapas que disputam o pleito. As urnas deveriam ser liberadas para os locais de votação às 5h da manhã de ontem. Mas isso só aconteceu às 7h, em razão das divergências.

De acordo com o membro da comissão eleitoral Reginaldo Alcântara Ribeiro, que também é secretário de Finanças e Administração do Sindicato do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transportes Urbanos, Metropolitanos e Intermunicipais de Guarulhos e Região (Sincoverg), o impasse começou com uma liminar exigindo que fiscais de cada chapa assinassem as cédulas. A comissão, porém, entende que os próprios mesários possuem o papel de fiscalizar.

Enquanto isso, representantes das chapas 3 e 4 ainda entendiam que o processo eleitoral deveria ser cancelado e a polícia se dirigia ao local por conta das bombas lançadas contra os veículos. A chapa 2 também foi à Justiça, na tentativa de impedir a votação, como divulgou ontem o Jornal da Cidade.

Já Nélio Souza Santos, assessor da diretoria do sindicato, que disputa a reeleição pela chapa 1, avaliava que a liminar era impraticável, considerando o grande número de fiscais de cada chapa. ‘[...]a decisão (do juiz) é inexequível, com tantas assinaturas em cédulas não sobra espaço para o voto, além de já existir mesários e fiscais credenciados pelas chapas’, afirmou.


Divergências

O juiz Afrânio Flora Pinto, da 3ª Vara do Trabalho, foi quem concedeu liminar exigindo as rubricas de fiscais nas cédulas eleitorais, quem compõe cada chapa, como foi o processo de seleção dos sócios e outros itens, buscando a transparência e garantir que ocorra a eleição.

“O juiz, talvez por não conhecer os processos eleitorais de sindicato, entendeu que os mesários não são fiscais, que cada um possui uma função diferente e, por isso, vamos primar para que isso ocorra”, afirma o representante jurídico da chapa 1, Jonadabe Rodrigues Laurindo, que veio da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, para acompanhar os trabalhos.

Para Laurindo, o juiz teve cautela ao estabelecer a liminar, em resposta à solicitação formal de anulação do processo por parte da chapa 3.

Outro advogado presente, representando a chapa 2, Marcos Fernando de Toledo Moreira, afirmou que o processo não teve igualdade entre as chapas desde o início e o Judiciário agiu para garantir um processo transparente, socorrendo parcialmente as prejudicadas e mantendo a eleição.

De acordo com o representante da chapa 1 e membro da comissão eleitoral Reginaldo Ribeiro, houve acordo entre as chapas sobre as exigências de grupos adversários.

“Recebemos liminares com o pedido de listagem dos eleitores e uma exigência de que, além dos mesários, houvesse fiscais em cada ponto de votação. Mas entramos em acordo e por volta das 7h as urnas foram liberadas.”


Chapas trocam acusações

Atual presidente e candidato à reeleição pela chapa situacionista, José Rodrigues da Silva acusa as chapas adversárias de promoverem os desentendimentos, na madrugada de ontem. “Eles tentaram recuar em tudo o que estava combinado. Fizeram uma pouca vergonha para tirar o entusiasmo dos trabalhadores que queriam votar. As três chapas se uniram para fazerem aquela bagunça”, afirmou.

Segundo ele, as liminares foram conquistadas à base de mentiras. “Tanto é que as chapas recuaram daquelas exigências. Nossos advogados fizeram os representantes delas assinarem uma ata para deixar isso registrado”, pontuou.

Ele voltou a afirmar também que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não está dividida, apesar de a chapa 2, de oposição, receber o apoio majoritário dos sindicatos cutistas de Bauru. “Acontece que o Chicão [Francisco Wagner Monteiro, coordenador regional da central] pensa que é dono de tudo”, cutucou.

Na edição de ontem, Chicão afirmou que a chapa situacionista recebe o apoio formal da CUT pelo fato de a central não promover oposição a diretorias de sindicatos ligados a ela.

A chapa 2 é liderada por Valter Dutra, atual vice-presidente, que se desligou da diretoria atual e comandou as paralisações da categoria no ano passado, a contragosto do presidente José Rodrigues da Silva. Os dois grupos se autointitulam como cutistas.


Ânimos

Representantes das chapas 1, 2 e 3 relataram, na tarde de ontem, que o clima nas eleições estava tranquilo. No entanto, havia o receio de novas discussões no início das votações desta sexta-feira e, até mesmo, no recolhimento das urnas, à meia-noite de ontem para hoje. “O grande problema é a forma com que foi montada a comissão eleitoral”, disse o advogado da chapa 2, Marcos Fernando de Toledo Moreira.

Já o candidato a presidente da chapa 3, Valentim Sebastião de Oliveira, atribuiu a cutistas da chapa 1 a responsabilidade sobre atos de vandalismo. “Registramos um BO”, pontuou. Ele afirma que houve pressão a mesários e truculência contra a oposição. “As nossas camisetas não tinham dizeres. Eram apenas brancas com golas verdes. Mesmo assim, fizeram a gente tirar”, relatou Valentim. Ele afirma ainda que sua chapa não tem vínculo com centrais sindicais.

O JC não conseguiu contato, no período da tarde, com representantes da chapa 4, ligada ao Conlutas.

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