Política

Situação vence disputa no Sindicato dos Motoristas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Após um processo eleitoral turbulento, marcado por atos de vandalismo e ações judiciais, a chapa 1, de situação, venceu a disputa pelo comando do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Bauru (Sindtran). Com isso, o atual presidente José Rodrigues ficará no cargo por mais cinco anos. A votação ocorreu entre quinta-feira e ontem. Já a apuração foi realizada na noite de ontem, na sede do sindicato.

Apesar dos ânimos acirrados na disputa, o placar foi folgado para a chapa vencedora, que recebeu 347 votos, o que corresponde a 62,52% do total. A chapa 2 teve 160 votos (28,83%). Já a chapa 4, ligada ao Conlutas e ao PSTU, contou com 29 votos (5,23%). Em último lugar, a chapa 3 recebeu 16 (2,88%). Não houve votos em branco e apenas 2 nulos.

Mesmo com ampla vantagem na vitória da chapa situacionista, foi baixo o número de votantes. Dos 1.004 que poderiam participar do processo, apenas 555 o fizeram, cerca de 55% do total.

Presidente da comissão eleitoral, vinculado ao grupo vencedor, Reginaldo Alcântara Ribeiro, do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transportes Urbanos, Metropolitanos e Intermunicipais de Guarulhos e Região (Sincoverg), admite que o quórum ficou abaixo do esperado.

“No segundo dia, mais pessoas votaram. Toda aquela confusão causada no início do processo fez com que muita gente deixasse de participar”, avalia o sindicalista.

Para o presidente reeleito, o resultado é reflexo do trabalho desenvolvido pela diretoria nos últimos anos.


Rachas

A principal disputa na eleição do Sindtran se deu entre as chapas 1 e 2. As desavenças, aliás, começaram antes mesmo do período eleitoral. A chapa de oposição era comandada pelo atual vice-presidente Valter Dutra, que rachou com o comando da diretoria.

Foi o grupo de Valter que articulou as paralisações dos motoristas às vésperas da eleição municipal de outubro do ano passado. O movimento reivindicava melhorias na jornada de trabalho e passou por cima de determinações oficiais da diretoria da entidade.


Quem é da CUT?

As chapas 1 e 2 disputavam também o rótulo cutista. Formalmente, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) apoiava a situação, já ligada a ela. No entanto, o comando local da central e os sindicatos de Bauru prestaram apoio à oposição, travando guerra nos bastidores.


Apuração, ontem, teve clima de tensão

A apuração começou por volta das 20h15. Cerca de três horas antes, porém, a quadra 3 da rua Boa Esperança, na Vila Seabra, estava tomada por simpatizantes e representantes das quatro chapas que concorriam à eleição.

Além deles, cerca de 30 homens ocupavam a frente da sede do sindicato, controlando a entrada e saída de pessoas do sindicato. Muitas delas, inclusive, eram impedidas.

Há relatos de que, quando da chegada das urnas, antes da presença da Polícia Militar, um motorista que tentou se aproximar do imóvel teria sido agredido por esses homens.

“Empurraram o companheiro, falaram que o sindicato era deles. É um absurdo fazerem isso com a entidade que pertence à categoria. São pessoas que nem são da cidade”, afirmou Reinaldo dos Santos Cordeiro, candidato a presidente da chapa 4, ligada ao Conlutas e ao PSTU.

De acordo com representantes das chapas oposicionistas, os homens eram, em sua maioria, da região do ABC paulista, e haviam sido contratados pela situacionista chapa  1 como “bate paus”.

“Eles vêm aqui para apavorar”, criticou o candidato a presidente pela chapa 3, Valentim Sebastião Rodrigues de Oliveira. O sindicalista reclamou, mais uma vez, da forma com que foi conduzido o processo eleitoral.

Candidato a presidente pela chapa 2 e atual vice-presidente do Sidntran, Valter Dutra também relatou casos de agressão a trabalhadores momentos antes da apuração. No entanto, admitiu que, após os casos de vandalismo registrados no início do pleito, na madrugada de quarta para quinta-feira, o processo foi conduzido de forma tranquila.


Apoio moral

Candidato reeleito pela chapa 1, José Rodrigues afirmou que os homens que tomavam as portas do Sindtran eram apoiadores de diversos lugares do País. “A função deles é dar apoio moral para a gente. Veio gente de todos os cantos”, pontuou, negando o papel de “capangas” dos homens.

Ele voltou a afirmar que o processo foi conduzido com transparência e que a presença da Polícia Militar tinha papel preventivo.

À reportagem do Jornal da Cidade, foi informado não haver membros da comissão eleitoral que não sejam ligados a uma das chapas concorrentes.


Violência

A violência e atos de vandalismo marcaram o início das eleições para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran), na madrugada de quarta para esta quinta-feira. Um grupo de desconhecidos teria atirado bombas em veículos estacionados próximo à sede da entidade, causando pequenos danos. Há, porém, relatos de que um dos automóveis teria sido incendiado. A reportagem não presenciou a cena e os envolvidos não foram identificados.

Além disso, uma guerra de liminares judiciais atrasou a distribuição das urnas para os pontos de votação. No entanto, nenhuma delas teve validade após acordo entre os representantes legais das quatro chapas.

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