O primeiro dia de des?les em Bauru, domingo (10), reuniu cerca de 15 mil pessoas no Sambódromo, segundo estimativas da Polícia Militar. Nem mesmo a forte pancada de chuva no início da festa espantou o público, formado por pessoas dos mais diversos bairros da cidade, de todas as idades, incluindo até mesmo uma plateia internacional.
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Éder Azevedo |
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Cartola 'levantou' a arquibancada no Sambódromo de Bauru |
Animadíssimas, as irmãs Maria Sueli, 64 anos, Rosemeire, 52 anos, e Célia Regina dos Santos Kene, 45 anos, vibraram a cada escola que passava pela avenida. Moradoras da Vila Falcão, elas contam que, apesar de não terem uma escola do coração, sempre foram apaixonadas pelo Carnaval.
“Eu já desfilei várias vezes. Depois, passei a só assistir, mas é sempre muito empolgante”, comenta Célia, que, mesmo na arquibancada, não deixou de improvisar um adereço na cabeça para embarcar no clima de Carnaval.
O clima familiar, aliás, tomou conta do Sambódromo, mais uma vez. Com muito samba no pé, as pequenas Jheniffer, 6 anos, e Dhulliana, 13 anos, prestigiaram a festa acompanhadas dois pais, Paulo Pereira, 32 anos, e Mara Lúcia de Oliveira, 34 anos. Também estavam na arquibancada aproximadamente mais 15 pessoas da família.
“Aqui, todo mundo é do samba. Eu mesma já fui puxadora do Azulão, há uns dez anos. Hoje, só torço para a escola, mas minhas meninas querem muito desfilar um dia. Está no sangue, não tem jeito” observa Mara Lúcia.
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Primeiro dia é de homenagens
Mariana Cerigatto
Com direito a muitas homenagens: assim foi o primeiro dia de desfile no Sambódromo, protagonizado pelos blocos Império da Lagoa do Sapo, Estrela do Samba de Tibiriçá e as escolas Azulão do Morro, Imperatriz da Bela Vista e Acadêmicos da Cartola, nesta ordem.
Joãosinho Trinta, os portugueses , cacique Tibiriçá e até times de futebol amador foram alvos das homenagens, com enredos criativos que animaram a passarela do samba.
A entrada triunfal da Rainha, Rei e Ranha da Diversidade, pontualmente às 20h, foi marcada pela interatividade com o público. As majestades sambaram bastante e fizeram questão de retribuir o carinho da plateia com abraços e muita simpatia.
Animação à prova d’água
A primeira agremiação a desfilar, o bloco Império Lagoa do Sapo, precisou enfrentar chuva, mas se manteve firme até o final. Os integrantes uniram as forças para formar o bloco, estreante na passarela, que fez uma folia em que o samba e a bola deram as mãos. Por ser originalidade,a agremiação entrou apenas com uma grande ala composta por passistas e a bateria. ‘’Nós desfilamos pela primeira vez e nossa intenção não foi competir, mas participar. Tudo aconteceu com muita naturalidade, e a chuva não foi empecilho”, disse o presidente Márcio da Silva. A agremiação é a junção de dois times amadores da cidade: Império e Lagoa do Sapo, alvos das homenagens.
Brasil e Portugal Juntos
Depois de São Pedro dar uma trégua, as cores brasileiras e portuguesas invadiram a avenida. Mais uma vez, a família Cosmo pisou na passarela do samba. Uma das agremiações mais antigas de Bauru, o bloco Estrela do Samba de Tibiriçá fez uma homenagem à chegada dos portugueses e também ao cacique Tibiriçá, importante líder indígena brasileiro tupiniquim. O ponto alto ficou para o único carro alegórico da agremiação com uma caravela, que representava o momento da descoberta da terrinha pelos europeus.
“É muito pouco tempo pra mostrar tudo o que trabalhamos o ano todo. Mas valeu muito a pena, todos se destacaram e realizaram um lindo desfile”, ressaltou Dulcineia Cosmo, presidente do bloco.
Azulão entra cheia de sonhos, mas com carro quebrado
A Azulão do Morro foi a primeira escola a entrar na pista do samba. Todas as alas, muito coloridas, tiveram participação forte da criançada, já que o enredo mergulhava na imaginação infantil, com o tema de “Faz de conta que...”. Um dos destaques ficou pra boneca Emília, personagem do Sítio do Pica Pau Amarelo. A bailarina Emília saía de um baú e apresentava o mundo dos sonhos, com ala de palhaços, do sol, da noite etc.
Outro destaque ficou para as alas da paz e natureza, que representam os desejos de um planeta mais sustentável e harmônico, sonho de muitas civilizações.
O único empecilho foi o primeiro carro alegórico a passar pela pista, que apresentou um problema em uma das rodas. Apesar do conflito momentâneo, integrantes de outras agremiações se juntaram para ajudar a Azulão, como a Tradição e bloco Pé de Varsa. Apesar do imprevisto, o incidente não causou maiores problemas à agremiação.
Cidinha do Azulão, presidente, disse que sempre é uma alegria participar. “É uma emoção muito grande e uma alegria sempre desfilar em Bauru”.
Revolução na avenida
A Imperatriz da Bela Vista, escola que não desfilava há quase 30 anos, fez um desfile simples, mas emocionante. O enredo “O Sonho não Acabou” explorou movimentos que revolucionaram as décadas de 50 e 60, fazendo referência às descobertas científicas, ao movimento hippie, novos costumes e comportamento. Por não ter se inscrito dentro do prazo estipulado, a Imperatriz desfilou na condição de convidada, não tendo direito a competir.
Cartola entra imponente
Uma verdadeira ópera de rua: cheia de brilho e imponência, a Acadêmicos da Cartola entrou no Sambódromo por volta das 0h30 e fechou o desfile com chave de ouro com o enredo “Cartola canta o Grande Mago da Ópera de rua” . Uma multidão lotou as arquibancadas para ver a escola mais esperada do primeiro dia de desfile.
O Carnavalesco Joãosinho Trinta foi o homenageado, com 12 alas e seis carros alegóricos. Um dos destaques ficou para o primeiro carro alegórico, com a Águia Guerreira, primeira cenografia de Joãosinho.
Um momento emocionante ficou por conta da queima de fogos de mais de dez minutos. Nem todas as agremiações farão a queima de fogos este ano, que exigiu alvará específico.
Não faltou também foi a linda coreografia das bailarinas da primeira ala, a ala das Águias Guerreiras, coordenada por Vanessa Arão.
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