A palavra prevenção, principalmente no Brasil, não tem o impacto que deveria. Na odontologia, o uso de escova, pasta e fio dental são métodos preventivos contra a instalação de cáries e suas terríveis consequências para a saúde das pessoas. A vacina da gripe deveria mudar sua data de aplicação para que o organismo a assimile antes e previna a gripe durante o inverno e não ser ministrada durante aquela estação. O corpo necessita de tempo para preparar suas defesas. Durante o Carnaval, são distribuídos milhares de preservativos, numa campanha de prevenção à aids e à gravidez precoce.
Neste conceituado jornal, na quarta-feira, Braz Meleiro, meu companheiro do Lions Clube de Bauru Centro, engenheiro e funcionário aposentado e qualificado de empresa de distribuição de energia elétrica, mais uma vez nos coloca claramente os riscos do setor de energia elétrica e sugere algumas medidas que podem refletir no futuro de todos nós. Sua citação sobre o destino que uma senhora dará, ao dinheiro que "sobrará" do desconto imposto pelo governo federal, resume bem qual a filosofia perversa, incutida na nossa sociedade de consumo.
Precisou da morte de mais de duas centenas de jovens, na tragédia de Santa Maria, para que uma campanha nacional de emergência, fiscalizasse os locais de divertimentos. Todos os dias são relatados pela imprensa, o número de casas noturnas fechadas pelas diversas irregularidades, mas com um ponto em comum: por que essas casas já não foram fiscalizadas antes, prevenindo acidentes, menores, iguais ou até maiores que possam ocorrer? Fico imaginando, quantas pessoas foram "salvas" este final de semana, porque os lugares que frequentam, foram fechados. Li em alguma fonte de informação, que um repórter estrangeiro perguntou: "Para que leis se não são feitas para serem cumpridas?". Como funcionará a lei seca, nesta época de Carnaval? É só dar um passeio noturno na avenida Getúlio Vargas e veremos seus bares vendendo somente "guaraná" aos seus frequentadores. Paradoxalmente, segundo alguns conhecidos nos relatou, a lei seca no Rio de Janeiro, há tempo, tem tolerância zero.
Nesse quesito, nota mil a essa cidade maravilhosa. São Paulo tem restaurantes destinando descontos nos pratos ou oferecendo refrigerante àquele que sentar na cadeira destinada ao abstêmio daquela mesa. Outros oferecem táxi para o retorno. Que bela atitude, engenhosa, de cooperação na prevenção de acidentes por ingestão de álcool. Não sejamos hipócritas de achar que, após algumas rodadas de choppes, o indivíduo não irá pegar o carro, aqui em Bauru, para voltar para casa.
Saia pelo domingo de manhã, por exemplo para ir à padaria, e verá jovens estendendo a noite do sábado e depois entrando, completamente embriagados, em seus carros para voltar para casa. No campo político, vemos, diariamente, parlamentares condenados assumindo responsabilidades que não condizem com os motivos de sua condenação. As eleições podem prevenir, de acordo com os nossos votos, que o dinheiro público seja desviado e se converta em prol do bem-estar das comunidades. Ditado antigo: "É melhor prevenir do que remediar". Será que ainda não é atual?
O autor, Arnaldo Pinzan, é professor associado da FOB-USP e 1º. Secretário do Lions Clube de Bauru Centro