SALVADOR - Um dos cinco cardeais brasileiros que deverão participar do conclave para eleger o sucessor de Bento 16, o mineiro dom Geraldo Majella Agnelo, 79, arcebispo emérito de Salvador, não quis julgar a decisão do papa de anunciar que irá renunciar ao cargo, numa atitude inédita em quase seis séculos na Igreja.
"Ele [Bento 16] realmente estava limitado, estava sempre limitando as forças dele. Mas estava fazendo esforço para seguir adiante", afirmou , acrescentando ter sido surpreendido pelo noticiário, já que o Vaticano ainda não entrou em contato.
"Aquilo que se falava antes eram conjecturas. Não havia nenhum anúncio por parte do papa, mesmo para nós. Agora, acho que não seria justo [ele fazer isso] para participar da escolha, para influenciar os cardeais a votarem em alguém", disse dom Geraldo. "Mas não creio. Ele não vai fazer nunca isso."
Segundo dom Geraldo, é possível que o conclave ocorra na mesma data ou nos dias posteriores. "Estou mesmo na expectativa da convocação do cardeal de Roma, porque teria outros compromissos. Mas, em primeiro lugar, claro, está o Vaticano", disse.
Arcebispo primaz do Brasil por 12 anos até 2011, quando se aposentou, e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entre 2003 e 2007, ele é um dos 119 cardeais espalhados pelo mundo aptos a votar no conclave, de acordo com a última lista do Vaticano, atualizada há duas semanas.
Para poder votar na escolha do papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos.
Aos 79, dom Geraldo não se considera um bom nome para a sucessão. "Fico numa idade, né... E não me vejo competente para isso." Ele faz aniversário em 19 de outubro.
Questionado se já não estaria na hora de um brasileiro se tornar papa, ele ri. "Isso aí também não tem lógica, não. Acho que aqueles que os cardeais entendam com capacidade de saúde e de inteligência também. Isso é que vai contar. Nada vai puxar para favorecer um ou outro", completa, ainda recolhido neste penúltimo dia de Carnaval na Bahia.