O departamento jurídico da prefeitura será comunicado sobre o desrespeito à interdição do Hotel Milanez, localizado na quadra 2 da avenida Rodrigues Alves, em Bauru. Na quarta-feira passada, durante força-tarefa desencadeada para vistoriar casas noturnas irregulares em Bauru, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, esteve no local e constatou que suas instalações oferecem riscos à integridade física de quem lá se abriga.
O JC divulgou com exclusividade o péssimo estado de conservação do prédio, para onde a Secretaria Municipal do Bem Estar-Social (Sebes) encaminhava pessoas desabrigadas e em estado de vulnerabilidade social. Anteontem, porém, os inquilinos com quem o JC conversou tinham alugado um cômodo do prédio por meio de negociação particular.
Uma das entrevistadas, que pediu para não ter o nome divulgado, informou morar no imóvel com outras três pessoas há dez dias. Diz ter pago R$ 400,00 antecipadamente para permanecer por um mês num quarto considerado amplo por ela. Os banheiros, contudo, são coletivos e muitos estão com problema. Por meio de convênio com o Estado e de uma parceria com a Casa do Garoto, responsável por administrar o serviço, o poder público pagava entre R$ 250,00 e R$ 300,00 mensais por quarto alugado.
Eram encaminhados para lá usuários de crack, que não se adequam às regras das instituições preparadas para receber desabrigados, além de famílias com crianças. Diarista, a entrevistada de ontem disse que chega ao hotel apenas à noite e que não soube da interdição, também não informada na porta de entrada. “Agora já paguei e não vou perder dinheiro”, afirma.
Receio
A situação preocupa uma das herdeiras do imóvel do Hotel Milanez Amedéia Milanezi Griso, que não conhece o suposto administrador do prédio Hércules Moreno Nunes. Preocupada com o desrespeito à interdição e com a possibilidade de algum inquilino sofrer eventual acidente por conta das condições do prédio, ela estuda contratar um advogado nesta semana. Uma das possibilidades, inclusive, seria entrar com uma ação de reintegração de posse, por exemplo.
Até quinta-feira, garante registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil, em Bauru. De qualquer forma, o caso será remetido ao departamento jurídico da prefeitura, após fiscalização por parte da administração municipal. Na oportunidade, o administrador do prédio será notificado.
Assim que os advogados do Palácio das Cerejeiras receberem a informação oficialmente, tomarão as medidas cabíveis. Ministério Público e Justiça devem ser comunicados. A informação foi reiterada pelo coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, e pelo titular da Secretaria Municipal do Planejamento, Paulo Ferrari.